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"Reabilitar o património é o caminho"

Até 2013, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai investir 6,8 milhões de euros na recuperação do património, tendo em vista o rejuvenescimento da cidade e principalmente do seu centro histórico.

 

A 14 de outubro de 2007 morre, em Tomar, com 82 anos, Delmira Maria Filomena Benito Maçãs. Em testamento, decidira tornar  a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML)  sua herdeira universal, deixando-lhe dinheiro, joias, uma coleção de moedas de ouro e 40 propriedades que se estendem por 800 hectares no distrito de Portalegre.


Foi por esta via das benemerências, como a de Delmira Maçãs, que a Santa Casa adquiriu a esmagadora maioria do seu património (93%) ao longo do tempo. De heranças e doações, a Misericórdia de Lisboa registou, em 2011, um total de 1,8 milhões de euros, 475 mil dos quais correspondentes a imóveis, revela Ricardo Amantes, de 38 anos, diretor do Departamento de Gestão Imobiliária e Património.
Gestor, Amantes trocou a sua atividade na Banca para se dedicar ao património da Misericórdia, em cuja recuperação faz, desde 2009, uma forte aposta. “A reabilitação é o caminho”, defende.


Além dos edifícios onde estão instalados os lares, creches, unidades de saúde e outros serviços da Santa Casa, outra parte do património imobiliário da instituição destina-se ao arrendamento para habitação e serviços (comércio e escritórios). 
Hoje, a SCML possui um total de 538 imóveis. São 393 prédios urbanos (254 edifícios, 129 frações autónomas e 10 terrenos), a grande maioria na área da Grande Lisboa. Tem também 119 prédios rústicos, equivalentes a cerca de dois mil hectares, e 26 prédios mistos.
As receitas desses arrendamentos juntamente com as dos jogos sociais, são as principais fontes de rendimento da Misericórdia de Lisboa.
Muitas vezes, porém, a antiguidade e o estado de degradação em que se encontram os edifícios que se destinam a ser arrendados exigem obras profundas de recuperação/reabilitação. 

O projeto para a requalificação desses prédios, através do qual se pretende contribuir para o rejuvenescimento da cidade, sobretudo o seu centro histórico, conta hoje com o forte empenho do atual Provedor, Pedro Santana Lopes.
Foi identificado um conjunto de 38 prédios que necessitam de obras de reabilitação e renovadas 14 licenças de obras que já tinham sido emitidas pela Câmara Municipal de Lisboa em 2007 e que estavam em vias de caducar, ficando em aberto a sua realização. Com esta prorrogação, a Misericórdia tem em vista considerar essas obras no orçamento da SCML no próximo ano e meio.

 

Mudar o conceito de benemerência

 

Esse trabalho de reabilitação prosseguiu nos anos seguintes, constituindo hoje um dos principais objetivos da provedoria da Misericórdia de Lisboa. No ano passado, a Santa Casa investiu 2,2 milhões de euros na recuperação de cinco edifícios e recebeu 2,855 milhões de rendas. Resta uma quantia de 4,6 milhões de euros para investir, estando atualmente duas obras em curso e oito em fase de lançamento. No total está previsto um valor de 6,8 milhões de euros para a recuperação de 15 prédios.
Em reabilitação estão prédios na Calçada da Tapada e na Rua de São Boaventura, estando previstas, para breve, intervenções na Rua das Trinas, Rua Silva Carvalho, Rua do Duque, Travessa da Boa-Hora e Rua de São José, bem como em outros três prédios.

Concluídas estão já as obras na Avenida Almirante Reis, na Rua Eduardo Coelho, na Praça das Flores, Rua Barão de Sabrosa e na Calçada do Lavra. Em parceria com a COPORGEST, a SCML reabilitou também um prédio no Largo Trindade Coelho. E, em Abril, o Fundo de Investimento Imobiliário Santa Casa 2004, cem por cento detido pela SCML, concluiu a reabilitação do histórico Palácio Valada e Azambuja, no Largo do Calhariz, em Lisboa, num investimento de 2,3 milhões de euros, para arrendamentos de curta duração.

Mas é preciso ver mais longe nesta tarefa de procurar uma maior rentabilidade do património. Para o futuro, Ricardo Amantes defende dois objetivos fundamentais: reabilitar e ir de encontro aos beneméritos. “Já não se pode ficar à espera que as pessoas venham ter connosco, é preciso mudar de atitude, ser proactivo”, afirma.
“O conceito de benemerência pode ser diferente do de doar sem contrapartidas”, diz, salientando que é preciso procurar e “criar respostas” para as necessidades das pessoas que têm muitos bens e vivem sozinhas, não têm ninguém. “É importante ir ao encontro delas”, defende.

 

“Crónica da Dádiva”, de Ana Gomes

É a história de homens e mulheres que decidiram doar os seus bens à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, contribuindo para que esta prosseguisse a sua missão em favor das boas causas ao longo dos séculos.
Chama-se  “Crónica da Dádiva”, é da autoria da jornalista Ana Gomes e está pronta para ser publicada.
Novo exemplar dos “Cadernos Solidários SCML” sobre o tema das benemerências conta, ao longo de 341 páginas, pormenores do “infindável universo de generosidade e altruísmo, povoado por tantos nomes de beneméritos da Santa Casa”, lê-se na introdução. “Histórias sem princípio nem fim, a crónica da dádiva atravessa a biografia da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, emergindo como elemento chave da sua identidade, essência e ação, descobrindo as benemerências como o motor sempre renovado do bem-fazer”.

 

 

Dr. Ricardo Amantes

 

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10 de agosto de 2012

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