Há 117 anos nascia o Museu de São Roque, um importante símbolo da cultura nacional

Detentor de uma invejável coleção de arte sacra, o Museu de São Roque é hoje uma referência cultural em Portugal. 2021 foi ano de transição para o digital, sobretudo com a criação da Artentik.

O Museu de São Roque foi um dos primeiros museus de arte a serem criados em Portugal. Abriu ao público a 11 de janeiro de 1905, com a designação de Museu do Thesouro da Capela de São João Baptista, no edifício da antiga Casa Professa da Companhia de Jesus. A inauguração solene deste espaço foi feita na presença do casal real, D. Carlos e D. Amélia, ato que demonstrava a relevância da coleção e conferia ao museu um elevado estatuto. Aquando da sua inauguração, era um pequeno museu que exibia uma joia do património da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa: o Tesouro da Capela de São João Batista.

Ao longo do século XX, o Museu de São Roque foi colecionando conquistas. A criação da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, em 1929, veio inaugurar uma época de intenso restauro monumental, que deixou marcas visíveis no património português, de Norte a Sul do país, em particular nos monumentos que podiam ilustrar uma narrativa de um Portugal antigo e transcontinental. O património foi usado como uma arma de propaganda do regime e de transmissão dos seus valores. E o que acontece ao Museu do Thesouro da Capela de São João Batista neste contexto? Desaparece e dá lugar ao Museu de Arte Sacra de São Roque.

Propriedade da Misericórdia de Lisboa, o Museu de São Roque guarda um dos mais importantes acervos da arte sacra nacional. Como refere a diretora do Museu de São Roque, Teresa Morna, a missão do Museu passa pelo “estudo, preservação, valorização e divulgação” da arte, sempre com o intuito de estimular o interesse e conhecimento da comunidade em geral pela arte sacra, “através de uma oferta cultural inovadora” que, de forma sustentada, atraia públicos diversificados. É, no fundo, assumir o papel principal de um museu: servir para educar, para deleite, para conservar objetos, para contar histórias.

Do Museu para o mercado digital

O ano de 2021 foi em tudo desafiante para o Museu de São Roque. Durante a pandemia, houve como que uma transição para o digital, com o Museu a centrar a sua ação na atualização do inventário informático de gestão de coleções, otimizando as potencialidades que esta plataforma oferece. Já no que respeita à sua interação com o público, foram valorizados os meios de divulgação digitais, com a inserção de novas exposições na Plataforma Google & Arts e a promoção de um ciclo de conferências online.

Foi também em 2021 que o Museu de São Roque viu a sua presença online reforçada. A Artentik é a marca da Misericórdia de Lisboa no mercado dos NFTs, que disponibiliza gémeos digitais de várias relíquias do Museu de São Roque e de outras peças da coleção de arte sagrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma das melhores do mundo. Através desta plataforma é possível “tokenizar” peças de arte barroca, relíquias, esculturas e formas de arte moderna, promovendo uma herança cultural única para o mundo. Através desta aposta no mercado dos NFTs, a Santa Casa pretende angariar receitas que possam ser aplicadas no trabalho diário em prol das boas causas.

“Temos 500 anos de tesouros inestimáveis que estamos interessados em partilhar com os amantes da arte, antiguidades e história religiosa. Ao criar a nossa própria janela digital, através da Artentik, as pessoas podem ver os nossos bens culturais únicos, adquirir uma réplica digital dos mesmos através dos NFTs, e saber que os lucros serão utilizados para atividades sociais. Esta é uma democratização cultural dos museus, e estamos muito satisfeitos por podermos abraçá-la”, referiu Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa, por altura do lançamento da Artentik.

Em 2022, o Museu de São Roque retomou a colaboração com parceiros diversos, com o intuito de potenciar sinergias e alcançar resultados. Neste sentido, evidencia-se a parceria desenvolvida com a PIN – Associação Portuguesa de Joalharia Contemporânea e o MUDE – Museu do Design e da Moda: Coleção Francisco Capelo, a qual resultou na exposição “Suor Frio”, que reuniu na Galeria de Exposições Temporárias, Igreja e Museu de São Roque, trabalhos de mais de meia centena de reputados joalheiros contemporâneos nacionais e internacionais, em diálogo com obras do Museu de São Roque.

“Este ano, será desenvolvido o projeto de quatro anos RELIQUIARUM, iniciado em 2021 sob a coordenação científica do Professor Doutor António Camões Gouveia, tendo como objetivo a investigação do complexo universo de relíquias e de relicários que constituem a excelente coleção da Santa Casa, numa abordagem de estudo integrado e pluridisciplinar, com o intuito de conhecer a coleção em várias dimensões. O projeto visa a criação de metodologias de interlocução com investigadores, pensadores, artistas e públicos para transformar o acesso às pequenas relíquias em momentos sequenciais de inquérito, pensando sempre na dimensão construtiva e pedagógica dos atos de cultura e devoção”, revela Teresa Morna.

  • Artentik
  • Cultura
  • Museu de São Roque
  • NFTs
  • Património cultural