12 NOV
Convento de São Pedro de Alcântara | 16h30
Americantiga Ensemble e 33 Ânimos
Entre Dois Mundos
15h00 | Visita Guiada ao Convento de São Pedro de Alcântara
16h00 | Atelier Infantojuvenil no Convento de São Pedro de Alcântara




Entre Dois Mundos. Concerto encenado com música dos séculos XVI a XVIII

"Entre Dois Mundos" propõe um diálogo filosófico durante um encontro fictício, em 1719, entre um indígena sul-americano, educado pelos padres jesuítas nas Missões dos territórios em disputa pelas coroas espanhola e portuguesa e o jovem D. João V. Trazido para Lisboa a fim de ser mostrado ao rei português como exótico exemplo da educação musical utilizada no processo catequizador e humanista promovido pela Ordem de Cristo, o indígena surpreende ao demonstrar simplicidade e erudição, tendo a música como ponto de contacto entre a religião e as diferentes culturas e visões de mundo das personagens envolvidas. É a música que une os dois num consenso, é através da música que os idiomas se aproximam, é com a música que o rei e o índio vivem aquele momento em que ninguém é superior em relação ao outro, um momento em que a selva e cidade estão no mesmo espaço. A música apresentada refletirá o teor das discussões e servirá como ilustração sonora dos mundos que se descrevem e compartilham. Iniciar-se-á pelas raízes comuns do repertório levado pelos jesuítas nas suas Missões na América do Sul com aquela que também se manteve importante na Capela Real de Lisboa, como a obra de Giovanni Pierluigi da Palestrina, compositor máximo da Contrarreforma em Roma. Serão também apresentadas obras de compositores portugueses ligados aos jesuítas como Pedro de Cristo e Frei Miguel da Natividade que, em motetes de cariz teatral como Fatalis Olim, assim como nos vilancicos portugueses dedicados a São Roque e São Francisco Xavier - inéditos depositados nos arquivos de Évora, cumpriam função doutrinária e evangelizante semelhante às versões de música europeia em língua indígena como Hanacjpachap cussicuinim e Zuipaqui Sancta Maria. Finalmente, com certa liberdade poética e cronológica, será proposto um paralelismo entre as obras da Capela Real portuguesa como as de António Teixeira, Carlos Seixas e Giovanni Giorgi, com as de compositores presentes nos arquivos musicais das Missões, como as de Giovanni Bassani, Roque Ceruti e Domenico Zipoli, este último radicado em Córdoba (atual norte da Argentina), de onde escrevia e enviava música para as demais missões. Os músicos do rei ensaiam um concerto, os cantores aquecem a voz, o índio reconhece o repertório em comum às duas realidades musicais assim como apresenta ao rei as suas próprias habilidades e conhecimentos. No final, aplaude-se a música pelo seu dom de aproximar culturas, de louvar a palavra e as ações divinas.



Ricardo Bernardes | Diretor Musical