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Doenças Neurodegenerativas
De acordo com o EU Joint Programme - Neurodegenerative Disease Research (JPND), as doenças neurodegenerativas são condições debilitantes e incuráveis, que resultam na degeneração progressiva e/ou na morte das células nervosas. Esta degradação causa problemas com o movimento, as ataxias, ou com o funcionamento cerebral, originando a demência. 

A demência é um declínio progressivo ou crónico da função cognitiva, que afeta a memória, o pensamento, o comportamento, a linguagem, a capacidade de cálculo, a aprendizagem e a emoção, não devendo nunca ser associada a um processo normal de envelhecimento. De entre as demências, podemos salientar a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson, a doença de Pick, a demência vascular, a doença de Creutzfeldt-Jakob ou a doença de Huntington (Alzheimer's Australia, 2012) & (World Health Organization, 2012) & (Parlamento Europeu, 2010) & ((JPND), [s.d.]).

Estima-se que 153 mil cidadãos portugueses e 9,9 milhões de cidadãos europeus sofram de algum tipo de demência (Alzheimer Portugal, [s.d.]) & (Parlamento Europeu, 2010). De acordo com o relatório DEMENTIA - A Public Health Priority, no mundo inteiro, em 2010, o número ascendia a 35,6 milhões. Anualmente, calcula-se que o número de novos casos de pessoas com demência seja cerca de 7,7 milhões, ou seja, um novo caso a cada 4 segundos. As previsões são para que, em 2050, o número de pessoas que sofrem de demência no mundo inteiro triplique, situando-se nos 115,4 milhões de pessoas, como é possível verificar no seguinte gráfico:

Gráfico 1 - Estimativa do número de pessoas afetadas por Demência entre 2010 e 2050 no mundo inteiro. [Fonte: Elaboração própria a partir dos dados disponíveis em (World Health Organization, 2012) & (Alzheimer's Disease International, 2009]

Tendo em conta não só as pessoas que sofrem de demência, mas também os prestadores de cuidados, na sua maioria familiares dos doentes, o número de vidas que são afetadas pela doença aumenta abruptamente.

Do número total de pessoas que sofrem de demência, estima-se que a maioria (35%) se encontre na Ásia, ocupando a Europa o segundo lugar, com 28% (Parlamento Europeu, 2010).

Os custos das demências dizem respeito à assistência médica, mas também aos cuidados prestados. Nos países de elevado rendimento, nos quais, segundo dados do Banco Mundial [1], Portugal se insere, os custos médicos diretos (consultas médicas, exames médicos, medicamentos, entre outros) constituem a menor parte de todos os custos associados às demências. Em primeiro lugar, encontram-se os custos associados aos cuidados informais (cuidados não diretamente pagos e prestados maioritariamente pela família mas também por amigos ou membros da comunidade), seguidos pelos custos dos cuidados formais (lares especializados, serviço domiciliário, transporte de doentes, entre outros) (World Health Organization, 2012), como é possível observar pelo seguinte gráfico:
Gráfico 2 - Distribuição dos custos associados às demências em países de elevado rendimento [Fonte: Elaboração própria a partir dos dados disponíveis em (World Health Organization, 2012)]

Num estudo efetuado no Reino Unido, foi demonstrado que os custos associados à demência equivalem a cerca do dobro dos custos associados ao cancro, a cerca do triplo dos associados a doença cardíaca e a cerca de quatro vezes os associados a ataques cardíacos. No entanto, no que diz respeito ao investimento em investigação, os gastos associados ao estudo das demências eram os mais baixos e muito inferiores aos gastos relativos ao estudo de todas as doenças acima referenciadas (Luengo-Fernandez, Leal, & Gray, 2010)& (World Health Organization, 2012).

Num outro estudo efetuado na Suécia, concluiu-se também que os custos anuais associados às demências eram os mais elevados, quando comparados com os custos associados à depressão, ao ataque cardíaco, ao alcoolismo e à osteoporose (World Health Organization, 2012).

Os custos associados aos cuidados dos doentes de demência são extremamente relevantes pois, à medida que a doença progride, a necessidade de cuidados, por parte dos doentes, aumenta significativamente. A maioria das pessoas que sofrem de demência grave necessita de muitos cuidados. Esses cuidados implicam custos financeiros insuportáveis para a maioria das famílias, para além de todo o desgaste físico e emocional.

Prevê-se que o impacto socioeconómico da demência seja um dos maiores desafios do futuro da Sociedade Europeia, dado o envelhecimento da população, o aumento da esperança de vida e o facto da incidência da demência aumentar exponencialmente com a idade. Neste contexto, o rastreio e o diagnóstico precoce são passos essenciais para que as demências sejam atempadamente diagnosticadas, contribuindo para o abrandamento da evolução da doença e o adiamento dos sintomas mais severos nos doentes (Parlamento Europeu, 2010) & (World Health Organization, 2012).

A importância e o impacto das demências na sociedade fez com que diversos países como a Austrália, a Inglaterra e a Escócia apostassem em cursos de especialização, na área das demências, de modo a aumentar as competências e a credibilizar os técnicos da área (Alzheimer's Disease International, 2012).
Tal como descrito no Relatório sobre a iniciativa europeia em matéria de Alzheimer e outras formas de demência (2010/2084(INI)) do Parlamento Europeu, "Para antecipar o impacto económico e social da doença de Alzheimer e de outras formas de demências, é necessário investir na investigação científica e adotar uma abordagem mais eficiente em relação aos sistemas de prestação de cuidados de saúde."


Alzheimer

A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa progressiva, descrita em 1906, pelo psiquiatra e neuropatologista alemão Dr. Alois Alzheimer (1864-1915) (Maya, [s.d.]) & (National Institutes of Health, 2011).

No decurso da doença, proteínas "anormais" formam placas amilóides e tranças neurofibrilhares, que impedem a comunicação das células nervosas e o cérebro de trabalhar normalmente. Ocorre a morte de células cerebrais e a diminuição do tamanho do cérebro (National Institutes of Health, 2011).

Tabela 1: Sintomatologia da doença de Alzheimer 

Fase 1
Fase Inicial
 
Fase 2
Alzheimer Brando
 
Fase de diagnóstico
Fase 3
Alzheimer Moderado
Fase 4
Alzheimer Severo
 
Perda de memóriaAgravamento da perda de memóriaAgravamento da perda de memória e da confusão Perda de peso
Dificuldade na comunicação /Esquecimento de palavrasDesorientação espacialIncapacidade de aprendizagem e de lidar com novas situações Infeções na pele
 Dificuldade e demora na realização de tarefas domésticasDificuldade em reconhecer familiares e amigos Dificuldades na deglutição 
 Alterações de comportamento como ansiedade e agressãoAgravamento na capacidade de comunicação Incontinência 
 Confusões com finanças pessoais Alterações mais severas de comportamento Convulsões 
 Alterações na capacidade de decisões Perda de controlo Aumento do tempo de sono 
 Perda da espontaneidade e iniciativa Impossibilidade de realizar tarefas sequenciais  
[Fonte: Elaboração própria a partir dos dados disponíveis em (National Institue of Aging, [s.d.])]

A doença de Alzheimer é a responsável pela maioria dos casos de demência (60 a 80% dos casos) (Alzheimer's Association, 2013). Calcula-se que em Portugal, em 2009, existiam cerca de 90 mil pessoas com a doença de Alzheimer (Alzheimer Portugal, [s.d.]). As estimativas apontam para que em 2040, 14 milhões de cidadãos europeus terão a doença de Alzheimer. Os custos anuais associados serão cerca de 140 biliões de euros (European Comission, 2013).A prevenção da doença de Alzheimer deverá ser considerada uma prioridade pela atual Sociedade. Neste âmbito, torna-se imprescindível conhecer os fatores de risco que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver a doença de Alzheimer, descritos na seguinte tabela:

Tabela 2: Fatores de risco da doença de Alzheimer 

Fatores de risco da doença de Alzheimer 
Idade
Doença vascular
Hipertensão
Níveis elevados de Colesterol
Fumar
Níveis elevados de Homocisteína
Baixo estímulo intelectual
Pouca atividade social
Pouco exercício físico aeróbico
Obesidade
Diabetes
História Familiar (parentesco de 1º grau)
Lesões cerebrais graves ou repetidas 
(Fonte: Elaboração própria a partir dos dados disponíveis em (Alzheimer's Association, 2013) & (World Health Organization, 2012)) & (Alzheimer Portugal, [s.d.])

A idade ainda continua a ser o principal fator de risco da doença e estudos indicam que, a partir dos 65 anos, as taxas de incidência e de prevalência praticamente duplicam, a cada 5 anos (Alzheimer Portugal, [s.d.]) & (Freitas, Simões, Alves, & Santana, 2011).
De acordo com a Associação Alzheimer Portugal, os 10 Sinais de Alerta da Doença de Alzheimer são:
1 - Perda de Memória;
2 - Dificuldade em planear ou resolver problemas;
3 - Dificuldade em executar tarefas familiares;
4 - Perda da noção de tempo e desorientação;
5 - Dificuldade em perceber imagens visuais e relações espaciais;
6 - Problemas de linguagem;
7 - Trocar o lugar das coisas;
8 - Discernimento fraco ou diminuído;
9 - Afastamento do trabalho e da vida social;
10 - Alterações de humor e de personalidade;

O rastreio, diagnóstico precoce e o acesso a cuidados na fase inicial da doença são essenciais para o abrandamento da evolução da doença. Assim, torna-se premente a sensibilização tanto da população em geral, como dos profissionais da área para o reconhecimento dos sinais de alerta da doença.

Parkinson

A doença de Parkinson, descoberta em 1817 pelo médico Inglês James Parkinson (1755 - 1824), é a segunda doença neurodegenerativa mais comum (Fahn, 2008) & (European Brain Council, [s.d.])& (Parkinson's Disease Society of the United Kingdom, 2008).

Segundo o European Brain Council, a doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa crónica, progressiva e sem cura no momento.

A doença está associada à destruição dos neurónios na região do cérebro denominada Substancia Nigra e com a consequente perda do neurotransmissor dopamina, um dos neurotransmissores envolvidos no controlo do movimento, produzido na Substancia Nigra (University of Maryland Medical Center, 2010). Cerca de 70 a 80% das células produtoras de dopamina dos doentes de Parkinson degeneram ou perdem-se, o que provoca as dificuldades no controlo do movimento. Pensa-se que os fatores que podem contribuir para esta degeneração da dopamina podem ser a idade, fatores genéticos, fatores ambientais e vírus (European Parkinson's Diseae Association, [s.d.]) & (University of Maryland Medical Center, 2010)
Os principais sintomas da doença encontram-se descritos na seguinte tabela:

Tabela 1: Principais Sintomas (Sinais Cardinais) da doença de Parkinson
Sintomas da Doença de Parkinson (sinais cardinais) 
Tremores (essencialmente nas mãos e pés)
Rigidez Muscular (dificuldade no relaxamento dos músculos)
Bradicinésia (dificulta a iniciação do movimento)
Instabilidade Postural (dificuldades no equilíbrio)
(Fonte: Elaboração própria a partir dos dados disponíveis em (European Parkinson's Diseae Association, [s.d.]) & (Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, [s.d.]) & (European Brain Council, [s.d.])

A doença de Parkinson costuma manifestar-se após os 60 anos, mas cerca de 10% são diagnosticados antes de atingirem os 50 anos. A doença afeta tanto pessoas do sexo feminino como do masculino, embora exista uma ligeira tendência para o sexo masculino. O diagnóstico é clínico e feito aquando da presença de 2 dos sinais cardinais, sendo que o tremor está presente em 85% dos doentes de Parkinson. O diagnóstico pode ser confirmado na presença de uma boa resposta a terapêuticas farmacológicas. No entanto, o diagnóstico final só pode ser confirmado na altura da autópsia, se for identificada a presença de corpos de Lewy no cérebro (Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, [s.d.]) (Fahn, 2008)& (European Brain Council, [s.d.]).

Não havendo ainda uma cura para a doença de Parkinson, a terapêutica inclui fármacos, terapias convencionais (como fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional), terapias alternativas (como a aromaterapia, reflexologia, ioga e tai-chi) e a cirurgia. Esta terapêutica deverá ser efetuada caso a caso por um especialista (European Parkinson's Diseae Association, [s.d.]).

De acordo com a European Parkinson's Disease Association, existem mais de 6,3 milhões de pessoas no mundo com a doença de Parkinson. Na Europa, estima-se que existam 1,2 milhões de pessoas com a doença e que, em 2030, esse número duplique. Em Portugal, segundo a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, cerca de 12 mil pessoas vivem com esta doença.

À medida que a doença progride, os sintomas agravam-se. Nesta fase, os doentes podem também sofrer de depressão e baixa autoestima. A necessidade de cuidados especiais aumenta (Terriff, Williams, Patten, Lavorato, & Bulloch, 2012). A maioria destes cuidados é prestada pelos membros familiares, como verificado nos doentes com demência em geral, o que causa um grande desgaste nas famílias, não só financeiramente, mas também emocionalmente (World Health Organization, 2012).

Calculam-se que os custos anuais associados com a doença de Parkinson na Europa estejam na ordem dos 13,9 bilhões de euros. Dado que o número de pessoas afetadas pela doença deve duplicar em 20 anos (European Parkinson's disease Association, 2011), é expectável que o impacto económico da doença na sociedade Europeia também aumente consideravelmente. Dado que a idade é um fator de risco da doença, o fato da população europeia estar a envelhecer e a esperança de vida a aumentar, pode contribuir também para o aumento da incidência da doença (Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, [s.d.]).







Bibliografia

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Freitas, S., Simões, M. R., Alves, L., & Santana, I. (2011). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Normative study for the Portuguese population. Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Normative study for the Portuguese population.
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