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Francisco. Uma proposta para mudar o Mundo
A conferência, promovida pela Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, conduziu a audiência num roteiro para compreender o pontificado do Papa Francisco.

Ao final da tarde desta quinta-feira, dia 9 de novembro, a sala da Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, recebeu a conferência A Proposta Global do Papa Francisco, do professor Juan Ambrosio, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Entre a plateia esteve o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho, o Irmão-provedor da Irmandade, Pedro de Vasconcelos e Francisco Piedade Vaz, da Cáritas Portuguesa.

O teólogo propôs-se oferecer as coordenadas para um itinerário que ajude a entender o papado de Francisco. Juan Ambrosio deu a sua visão do que Francisco propõe para a Igreja Católica e para o Mundo.

Começando por assinalar que nos encontramos num momento de crise lembrou que, como a História nos ensina, os momentos de rutura levam a mudanças, que não devem ser movidas pelo medo, sob pena de voltarmos ao passado: “vivemos esta época de individualidade, do individualismo e interrogamo-nos sobre o futuro. Quando essa interrogação parte do medo, inevitavelmente surgem projetos que nos devolvem ao passado”, defendeu.

É precisamente para assegurar que essa mudança se traduza num Mundo melhor que entramos na proposta do Papa. Juan Ambrosio estudou vários documentos e encíclicas assinados por Francisco, para encontrar neles um convite a olhar para o tempo em que vivemos como uma oportunidade e não um problema.

Numa palestra em que repetiu várias vezes que esta se baseava numa interpretação apenas sua das palavras do Papa, o teólogo definiu os eixos que assentam na proposta do Papa: é necessário renovar a Igreja para mudar o Mundo. E como é possível essa mudança?

Juan Ambrosio lembra as palavras do Papa no Evangelii Gaudium, a Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, em 2013, em que defendia que o objetivo das comunidades cristãs é viver a vida para que os outros possam viver melhor. O professor sublinhou que estas palavras ganham força por esta conferência decorrer nas instalações da Misericórdia, e que é através da Misericórdia que a Igreja deve olhar para o Mundo, não como reação aos problemas, mas como uma ação primeira motivada pelo simples desejo de fazer o bem aos outros.

Novamente citando um texto do Papa, neste caso a carta Encíclica Laudato Si, de 2015, Juan Ambrosio viu nesta mensagem uma exortação a uma Igreja renovada para poder “cuidar da casa comum”. Neste texto, Francisco diz que “pretendo essencialmente entrar em diálogo como todos acerca da nossa casa comum (…) onde não haja lugar para descartados nem sobrantes”, porque temos de ter um Mundo que possa ser habitado por todos.

Antes de saltar para o último ponto, o teólogo deu a receita para que se possa operar a mudança pedida, olhar para o Mundo com um amor que vem de dentro, do mais profundo do ser humano, das suas entranhas, como o amor que um pai ou mãe têm por um filho.

O último eixo desta proposta pode ser encontrado na Amoris Laetitia, de 2016, sobre o amor na família. Aqui o Papa Francisco apela a que todas as famílias, e não apenas as cristãs, se transformem para cuidar da casa comum.

Juan Ambrosio finalizou a conferência sublinhando que a proposta do Papa tem criado algum incómodo em alguns setores da Igreja porque propõe uma alteração de paradigma onde o centro do Mundo não é a Igreja Católica, passando o centro a ser esses “descartados e sobrantes, e é para eles que nos devemos mobilizar”, defendeu o professor.

10 de novembro de 2017




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