Neurociências 2017
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Santa Casa volta a premiar investigação em neurociências
Além dos Prémios Santa Casa Neurociências, este ano, pela primeira vez, é também, atribuído o Prémio João Lobo Antunes, no valor de 40 mil euros. 

A entrega dos Prémios Santa Casa Neurociências 2017 decorreu esta quinta-feira, 30 de novembro, no Palácio Nacional da Ajuda. A cerimónia contou com as presenças da secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, do Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Edmundo Martinho, dos membros da Santa Casa, do Júri e dos representantes das equipas vencedoras.

Uma equipa da Universidade do Minho e outra do Instituto de Medicina Molecular, da Universidade de Lisboa, foram as vencedoras da 5.ª edição dos Prémios Santa Casa Neurociências, tendo sido galardoadas com um prémio de 200 mil euros cada. Já Bruno André Miranda, do Hospital de Santa Maria, foi o vencedor do Prémio João Lobo Antunes, no valor de 40 mil euros, a novidade deste ano.

Descobrir uma nova estratégia terapêutica e um novo biomarcador para a Doença de Alzheimer (Prémio Mantero Belard) e regenerar as lesões vertebromedulares através de fármaco-terapias, engenharia de tecidos e estimulação epidural (Prémio Melo e Castro) são os objetivos dos projetos vencedores anunciados esta quinta-feira, no Palácio Nacional da Ajuda.

Na sua intervenção, o provedor, Edmundo Martinho, felicitou as equipas vencedoras da edição de 2017, os investigadores o Júri e a equipa da SCML, salientando "que é uma honra estar nesta sessão e sentir que faço parte de um processo que pode contribuir para melhorar a vida dos portugueses". Segundo Edmundo Martinho, "estas bolsas pretendem dar força à investigação nacional e consequentemente ao trabalho que é feito no dia-a-dia na Misericórdia de Lisboa".

Os Prémios Santa Casa Neurociências são "um incentivo, uma responsabilidade e uma inspiração para fazermos cada vez melhor o nosso trabalho e para cumprir a missão da Santa Casa". O provedor da Santa Casa deixou, ainda, uma palavra de reconhecimento ao ex-provedor, Pedro Santana Lopes, pelo seu trabalho e entusiamo na criação destes prémios. 

"Esta é uma causa que todos temos a responsabilidade de prosseguir. O vosso trabalho é a esperança para todos", concluiu.

Por seu turno, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, salientou que os Prémios Santa Casa Neurociências ilustram bem a posição da SCML relativamente à ciência e ao conhecimento". Manuel Delgado expressou, ainda, a sua esperança de que "este conhecimento seja transposto para a prática clínica. Mais do que homenagear os premiados, estamos aqui pelo futuro da medicina", terminou.

Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, destacou e felicitou a iniciativa da Santa Casa. "É conhecido o trabalho fulcral a nível social da SCML, mas é louvável como progressivamente foi alargando o espectro da sua intervenção com a investigação".

O Prémio Melo e Castro 2017 foi entregue a António Salgado e à sua equipa da Universidade do Minho, pelo projeto "CombiCORD - Regeneração de lesões vertebromedulares através da ação combinada de fármaco-terapias, engenharia de tecidos e estimulação epidural".

Já a investigadora Maria José Diógenes, e a sua equipa do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, foi distinguida com o Prémio Mantero Belard 2017, pelo projeto "Nova estratégia terapêutica e novo biomarcador para a Doença de Alzheimer baseados na clivagem do recetor do BDNF".



Santa Casa investiu 2,0 milhões de euros em investigação, em cinco anos

Ao longo destes cinco anos foram recebidas 130 candidaturas (num total de 676 investigadores candidatos), e apoiados 8 grupos de investigação nacionais, constituídos por 85 investigadores. Através desta iniciativa, a SCML pretende contribuir de forma significativa para um futuro melhor, promovendo a investigação médica e científica de excelência na área das neurociências.

Os Prémios Santa Casa Neurociências foram criados em 2013, e representam um investimento anual de 400 mil euros na área da investigação científica e neurociências, repartidos em dois prémios. O Prémio Melo e Castro, no valor de 200 mil euros, destina-se à recuperação e tratamento de lesões vertebromedulares, domínio em que Santa Casa foi pioneira no país quando, em 1966, abriu o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão. Relativamente ao Prémio Mantero Belard, também no valor de 200 mil euros, distingue o tratamento de doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento, de que são exemplos o Parkinson e o Alzheimer.

Os vencedores foram escolhidos por um júri presidido por José Ferro (Universidade de Lisboa), do qual também fizeram parte Maria João Saraiva (Universidade do Porto); Catarina Resende Oliveira (Universidade de Coimbra); Isaura Tavares (Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências); Manuel Correia (Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia); Catarina Aguiar Branco (Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação); Jorge Jacinto (Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão); George Perry (College of Sciences, University of Texas); James Fawcett, (University of Cambridge); e Monica A. Perez (University of Miami Miller School of Medicine/The Miami Project to Cure Paralysis).

Os Prémios Santa Casa Neurociências têm como parceiros científicos a Universidade de Coimbra, a Universidade de Lisboa, a Universidade do Porto e as Sociedades Portuguesa de Neurociências, Portuguesa de Neurologia e Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação.

Prémio João Lobo Antunes entregue pela primeira vez 

Além dos dois Prémios Santa Casa Neurociências, este ano, pela primeira vez, foi, também, atribuído o Prémio João Lobo Antunes, no valor de 40 mil euros. Bruno André Miranda, do Hospital de Santa Maria, foi o vencedor desta categoria, com o projeto "Planeamento cognitivo episódico e semântico: evidência de populações clínicas".

Esta distinção é uma homenagem ao conceituado médico, neurocirurgião e cientista que morreu recentemente. Destina-se a médicos internos e tem como objetivo distinguir o melhor projeto de investigação clinica de natureza interdisciplinar, que contribua para melhorar a intervenção e a humanização do ato médico. João Lobo Antunes presidiu ao Júri das primeiras edições dos Prémios Santa Casa Neurociências.

30 de novembro de 2017

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