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A pandemia Covid-19 e a retoma da atividade na Santa Casa

19 Maio 2020
Ao longo dos seus mais de cinco séculos de existência, a Misericórdia de Lisboa ultrapassou pestes, guerras e terramotos. No início de este ano, a instituição teve, uma vez mais, de se adaptar a uma dura realidade provocada pela crise pandémica do Covid-19, que assolou o mundo.

Foi para falar desta nova realidade da instituição que Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa, foi convidado para uma conversa com o jornalista Mário Rui de Carvalho, na Antena1. Durante mais de meia hora, foram apresentadas algumas das medidas que a Santa Casa instituiu durante o estado de emergência, e foi tempo também para revelar os exigentes desafios que a instituição irá enfrentar durante o período de desconfinamento, assumindo que" a Santa Casa estará sempre presente para quem mais necessita".

"Durante este período aumentámos a nossa capacidade de intervenção em todos os domínios da nossa atuação", frisou o provedor, destacando que a atual crise de saúde pública diminui as receitas dos jogos sociais do estado "em quase 60%, quando comparado com o mesmo período de 2019".

Desde o início da pandemia que a Santa Casa aumentou consideravelmente o número de refeições que serve diariamente a pessoas e famílias carenciadas.

"Estamos a servir perto de 6000 refeições diárias. Este apoio revelou-se crucial para que as pessoas passem por esta crise da melhor maneira possível", disse Edmundo Martinho.

Questionado sobre a reabertura das creches da instituição, o provedor assumiu que o processo deve ser gradual, mas que "todas as precauções e medidas de segurança foram salvaguardadas".

"Tivemos a oportunidade de por em prática todas as orientações que estavam estabelecidas. Aliás, já tínhamos preparado todos os nossos equipamentos para esta reabertura", afirmou o provedor, frisando que, "apenas 60 a 70% dos pais optou nesta fase e até ao final do mês, ficar com os filhos em casa, mas estamos preparados para o aumento gradual".

Relativamente à abertura dos lares, que retomaram para visitas de familiares esta segunda-feira, também com medidas de segurança apertadas, Edmundo Martinho considerou que esta é uma medida "positiva", salientando que a pandemia mostrou "algumas fragilidades que estes equipamentos têm, principalmente ao nível de cuidados médicos e de enfermagem".

Tendo sido questionado sobre o tema "desporto", e uma vez que a Misericórdia de Lisboa, através dos Jogos Santa Casa, tem vindo a desenvolver parcerias estratégicas com várias federações desportivas, revelando-se, em alguns dos casos, como principal patrocinador, Edmundo Martinho, garantiu que todos os protocolos assumidos com entidades desportivas "são para cumprir". 

Sobre a possibilidade de as últimas dez jornadas que faltam até ao final do campeonato do principal escalão do futebol nacional, serem transmitidas em sinal aberto, o provedor esclareceu que a posição da Santa Casa nesta matéria é que "os jogos devem ser transmitidos em sinal aberto de maneira a prevenir as aglomerações em cafés, restaurantes e outros estabelecimentos".

No final da conversa, Edmundo Martinho, destacou, ainda que, o apoio que a instituição atribuiu à comunicação social, com a aquisição de 20.000 mil assinaturas premium de vários meios digitais e o aumento da publicidade paga nos jornais regionais, serviu essencialmente para "revitalizar o setor e combater a disseminação de notícias falsas, que se propagam nas redes socias".

Oiça, também, a entrevista de Edmundo Martinho ao Podcast, Resposta Pronta, do Observador.