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Dia Mundial do Idoso

O calendário é cristalino e não deixa marca para dúvidas: 1 de outubro é, desde 1991, o Dia Mundial do Idoso.  Os objetivos da efeméride também são quase tão claros como a data que os celebra: sensibilizar a sociedade para as necessidades da sua população mais envelhecida.


Mas "o que é um idoso hoje? Quando falamos de idoso, o que é que isso quer dizer?"
A interrogação é de Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e surge durante a cerimónia de entrega do "Prémio Envelhecimento Ativo Dra. Maria Raquel Ribeiro".


No dia 1 de outubro, a Misericórdia de Lisboa não deixou passar incólume a data que se celebra um pouco por todo o mundo, e nem podia. Afinal, as necessidades e preocupações desta população são mais do que um assunto com que nos identificamos. Integram o nosso ADN e fazem parte do nosso trabalho diário.


Mas no Dia Mundial do Idoso seguimos o caminho traçado pelas Nações Unidas. Não procurámos a melhor celebração para os nossos idosos, ou para "os mais velhos". Procuramos sim, continuar a desenvolver "um caminho de igualdade, o caminho que é o correto" como afirmou o provedor.


Foi com este caminho em vista que a Santa Casa desenvolveu duas atividades distintas. 


De manhã, pouco depois das onze, os turistas e lisboetas que passearam pela Calçada da Glória puderam assistir in loco à primeira. Miguel Brum, artista convidado pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e pela Santa Casa dava, por essa hora, os últimos retoques no trabalho que agora embeleza a conhecida calçada alfacinha. 

Para além de visar "transmitir o devido respeito pelos mais velhos" e de convidar os transeuntes "a prestar atenção a algo que ultrapassa a imagem ou a vaidade", este foi um trabalho diferente para Miguel. É que desta vez o grafiter não pintou sozinho, nem com a sua crew. 



A acompanhá-lo estiveram cerca de 10 idosos, da Junta de Freguesia da Misericórdia de Lisboa, que aceitaram o repto da organização e deixaram a sua marca num dos murais da cidade.
 Numa atividade onde não faltaram fotografias para mais tarde recordar ("Tens Whatsapp? É para depois me mandares as fotos!"), o apreço por esta ação apostada em celebrar a intergeracionalidade e em reconhecer a importância das pessoas com mais de 65 anos na vida da cidade de Lisboa, foi notório.


Foi também de forma evidente que a cerimónia da 8ª edição do "Prémio Envelhecimento Ativo Dra. Maria Raquel Ribeiro" voltou a mostrar que "há muito mais em cada pessoa do que a idade que está no BI" como referiu, logo no início da sessão, Maria João Quintela, presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia (APP). 

Os feitos dos oito galardoados, listados ao longo da cerimónia, depressa lhe deram razão. 


Não importa ter mais de 80 anos (condição necessária para receber este prémio promovido pela Misericórdia de Lisboa, a APP e a Fundação Montepio) quando as intervenções na sociedade civil, em diferentes áreas, continuam tão relevantes como sempre. Importante é, assim concordam Edmundo Martinho e Helena Rebelo Pinto (professora e uma das vencedoras da edição 2018 deste prémio), o exemplo que é dado por estes cidadãos.


"Este prémio é um símbolo do reconhecimento não só para os que aqui estão, mas também para outras Helenas, os outros Josés. Para os outros desconhecidos que, no seu dia-a-dia, se notabilizam, afincada, discreta e anonimamente na luta pela sobrevivência, no cuidado das crianças e dos doentes da família e em ações de voluntariado nas suas comunidades", referiu a investigadora a quem coube, de forma tocante e divertida, relatar a sua experiência como vencedora de um "Prémio Envelhecimento Ativo Dra. Maria Raquel Ribeiro".


"Todos aqueles distinguidos com este prémio são para nós, acima de tudo, um símbolo. Um símbolo de vida, um símbolo de reconhecimento por aquilo que nos deixaram e continuam a deixar. Um símbolo da forma como nos estimulam e nos inspiram" completou ainda o responsável máximo da Santa Casa.


Nas diferentes categorias existentes, estes foram os oito vencedores do Prémio Envelhecimento Ativo Dra. Maria Raquel Ribeiro 2019:

Intervenção Social - Helena de Sacadura Cabral
Arte e Espetáculo - Paula Rego
Arte e Espetáculo - Manuel Alves Cargaleiro
Ciência e Investigação -Manuel Sérgio Vieira e Cunha
Política e Cidadania - Emílio Alexandre Soares dos Santos
Política e Cidadania - Emílio Peixoto Vilar
Ética e Saúde - José António Pina
Família e Comunidade - José António Salgueiro

De nomes tão ilustres como os acima referenciados podemos retirar muita coisa. 
Desde um símbolo a "um exemplo de vida, de uma certa luta, de uma certa convicção, de um certo arreganho e de uma certa vontade de triunfar", como referiu Manuel Sérgio Vieira e Cunha, mas dificilmente retiramos algo que dê relevância à idade de quem ali figura.

No dia 1 de outubro a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa juntou-se à população mundial para celebrar uma faixa etária específica. Não temos um novo nome para lhe dar, mas sabemos que o caminho correto é igual ao de todas as outras idades. Afinal, é o mesmo caminho que seguimos desde 1498: o das Boas Causas.