Notícias


Domingos Barreiro nasceu há 50 anos

A Unidade de Saúde Santa Casa Dr. José Domingos Barreiro celebrou, esta quinta-feira, 2 de julho, o seu 50.º aniversário. 

Quase cem mil consultas e 86 000 pessoas atendidas. Este é apenas um dos dados de balanço do trabalho desenvolvido pela Unidade de Saúde Santa Casa Dr. José Domingos Barreiro, em 2014. Uma unidade que comemorou, esta quinta-feira, 2 de julho, 50 anos de existência, precisamente no dia do 517.º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Foi a 2 de julho de 1965 que aquela unidade foi inaugurada com pompa e circunstância pelo então Presidente da República, Américo Tomás.

Passado meio século, dezenas de pessoas juntaram-se naquele mesmo local para comemorar. Presente, a administradora para a área da Saúde, Helena Lopes da Costa, salientou que aquela unidade de saúde “considerada a “unidade-mãe” de todas as que existem na Santa Casa, representa o que melhor se faz em saúde.”

Na sua intervenção, Helena Lopes da Costa, notou que “numa altura em que o Serviço Nacional de Saúde se debate com tantas dificuldades, esta unidade tem conseguido responder a todos os desafios, prestando cuidados aos utentes da instituição, desenvolvendo o apoio domiciliário e alargando a prestação de cuidados médicos e de enfermagem”. E sublinhou que “ao contrário das restantes unidades de saúde do universo Santa Casa, esta não só presta cuidados de saúde primários, como igualmente disponibiliza um vasto leque de consultas de especialidade”, sendo, por isso, uma “unidade de saúde de excelência”.

Elogiando a “dedicação e profissionalismo dos médicos, o empenho da equipa de enfermagem e o esforço que os vários colaboradores que trabalham naquela instituição têm demonstrado nos últimos anos”, a administradora salientou a necessidade de as pessoas não se acomodarem. “O futuro está repleto de desafios, a que a Saúde Santa Casa tem de responder”, frisou, anunciando a intenção de “alargar as consultas a outras especialidades, desenvolver o apoio domiciliário e aumentar os cuidados a prestar aos utentes”. 

Em memória de José Domingos Barreiro

A história da criação desta unidade de saúde tem uma origem bem triste. Foi em consequência da morte prematura de um jovem de 24 anos, José Bento Domingos Barreiro, num violento acidente de viação e, em sua memória, que o seu pai Acácio Domingos Barreiro, mulher e filha decidiram doar à Misericórdia de Lisboa, os edifícios que possuíam junto ao palácio da Mitra, no Poço do Bispo. Aí nasceu o Centro de Saúde e Assistência Doutor José Domingos Barreiro concebido para “poder servir de modelo a serviços polivalentes de proteção sanitária preventiva (com predominância da higiene da maternidade e da primeira infância) e de serviço social principalmente educativo.”

Este centro ocupava um lugar de destaque na cidade de Lisboa, nos finais da década de 50 em que se assistia a uma mudança de paradigma da medicina com maior enfoque na saúde preventiva, em especial na formação da população. 

A importância deste equipamento manteve-se ao longo do tempo e a sua capacidade de resposta foi aumentando, cada vez com mais consultas de várias especialidades médicas.

Hoje, trabalham naquela unidade de saúde, 48 médicos, 14 enfermeiros e oito psicólogos. Medicina Geral e Familiar, Ginecologia/Obstetrícia, Pediatria, Cardiologia, Saúde Mental infantil e de adultos e Estomatologia, são algumas das especialidades existentes na unidade que realizou, no ano passado, um total de 97 857 consultas e de 8 043 consultas em apoio domiciliário. 

Pedro Amaral, médico otorrinolaringologista, trabalha na Domingos Barreiro há 27 anos. Em relação aos tempos antigos, nota principalmente o aumento dos serviços e do movimento. “Hoje a oferta é muito maior”, diz, referindo que aquela unidade de saúde continua a desempenhar um papel essencial junto da população mais desfavorecida, apesar das diferenças. “Hoje, deslocamo-nos na mesma aos locais. Vamos de carro e usamos o elevador. Dantes, calçavam-se galochas para andar na lama dos bairros da lata”, lembra.

Em síntese, Pedo Amaral considera que teve uma “vida médica preenchida” na Domingos Barreiro, que lhe deu “muitas alegrias e foi muito compensadora, em vários aspetos”. 

Memórias de um trabalho de referência

Vinda do Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa, a médica pedopsiquiatra Teresa Amaral, ficou durante 24 anos na USSC Dr. Domingos Barreiro. Ali, por onde também passaram conhecidos pedopsiquiatras, como João dos Santos, dinamizou uma consulta de saúde mental infantil inovadora para a época. “Foi muito positivo, tanto pela qualidade, como pela quantidade do trabalho”, recorda. “Aqui, aprendi que o espaço de consulta era, para aquelas crianças, que ali eram recebidas como pessoas importantes, um espaço afetivo de liberdade. Era o melhor que eles tinham, já que tudo o resto era muito mau.”

Teresa Amaral acompanhou muitas crianças provenientes de famílias destruturadas, meninos sem pais, vítimas de abandono, de rejeição, de negligência, “crianças sobreviventes”, sublinha. E a experiência que viveu entre as paredes daquela unidade de saúde, permite-lhe dizer hoje que “A Santa Casa é uma mãe e isso é um incentivo às pessoas que aqui vêm trabalhar.”

As memórias do trabalho desenvolvido ao longo dos anos na USSC Dr. José Domingos Barreiro são também guardadas pelas enfermeiras Maria João Alves e Maria Otília Marques Maia que ali contribuíram para dar resposta às necessidades de uma população a viver “em condições muito precárias”. Maria João Alves continua a achar que “é uma resposta que continua hoje a ser inovadora”. O balanço é, no seu entender, “muito positivo” e a Domingos Barreiro permanece “uma referência”. 

“Tive a oportunidade de trabalhar com o melhor que há em termos de saúde comunitária”, afirma.

“Gosto muito do que aqui faço”, diz Otília Maia que trabalha desde 1993 naquela unidade de saúde. “Marcou a minha vida na enfermagem, sinto-me útil no trabalho que realizo, sobretudo na área da prevenção”.

Um sentimento de realização profissional, igualmente partilhado por Rute Carriço, assistente administrativa que trabalha há 20 anos naquela unidade. Acompanhou todo o processo de modernização e de informatização que lá foi sendo introduzido e sublinha o “papel fundamental” que aqueles serviços têm prestado junto dos que não têm facilidade de acesso aos cuidados de saúde. 

Na USSC Dr. José Domingos Barreiro funciona também o Gabinete de Apoio Social e Recursos Gerontológicos (GASRG) que se destaca, sobretudo, como uma ponte, estabelecendo a mediação com a Ação Social na resposta às necessidades dos utentes. 

De olhos postos no futuro, a coordenadora clínica, Teresa Mendonça, e a enfermeira-chefe, Sónia Marçal asseguram a gestão da unidade cuja expansão já está prevista com obras de requalificação, possibilitando a diversificação da atividade clínica com a abertura de novas consultas de dermatologia, pneumologia, gastroenterologia e reumatologia, aumentando assim a qualidade do serviço prestado à população.

3 de julho de 2015