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Educação, uma prioridade para todos

Ciclo de conversas para debater a Educação começou com a abordagem aos modelos educativos nos jardins-de-infância e 1º ciclo do Ensino Básico.

A direção da Cultura da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) está a organizar um ciclo de conversas sobre Educação. A primeira aconteceu no sábado, 14 de outubro, na Sala de Extrações da Lotaria.



Margarida Montenegro, diretora da Cultura da SCML, explicou que o ciclo de conversas pretende "contribuir para a discussão e reflexão públicas" numa área essencial para "desenvolver competências e incutir valores nos nossos cidadãos". Para Margarida Montenegro é importante "discutir para fazer melhor", num setor que deve ser "prioritário para o Estado e para as instituições".

A sala encheu para o debate, moderado pela jornalista Laurinda Alves. Para a primeira conversa deste ciclo foram convidados Eduardo Sá, professor e autor de inúmeras obras, António Quaresma, Doutor em Educação ligado à Rede Educação Século XXI, Maria João Craveiro Lopes, professora e fundadora do Movimento Português de Intervenção Artística e Educação pela Arte e Susana Gomes da Silva, coordenadora do setor de Educação e Animação Artística do Centro de Arte Moderna.

A importância das artes no desenvolvimento das crianças foi um dos pontos da discussão. Maria João Craveiro Lopes defendeu a importância de "ter as artes presentes na educação" dos mais novos, porque "a criança aprende fazendo". Susana Gomes da Silva concordou, dizendo que acredita que "a educação artística é uma componente fundamental da cidadania".

Eduardo Sá foi mais longe, defendendo que a Educação Visual ou a Educação Física são disciplinas que devem ser olhadas com a mesma relevância que a Matemática ou o Português e que têm sido desvalorizadas nos últimos anos.

Num debate que levantou muitas questões dos participantes e da plateia, a ideia de mudar a Escola que existe no país foi defendida por muitos. António Quaresma afirmou que "a Escola que continuamos a ter não serve, está gasta e provoca exclusão", defendendo a necessidade de refundar o Ensino.

Para que essa mudança ocorra, o professor sustentou que é necessário "promover o sucesso educativo e escolar", mas, mais importante ainda, criar condições para que as crianças tenham "sucesso enquanto seres humanos".

A discussão abordou igualmente a necessidade de envolver toda a comunidade neste processo. A falta de tempo para os pais poderem estar com os filhos e o tempo excessivo que as crianças passam na escola foram alguns dos pontos que geraram maior consenso.

Eduardo Sá mostrou-se preocupado que "as crianças passem tanto tempo na escola", sublinhando que temos meninos a passar 12 horas por dia no ambiente escolar. O orador foi dos que mais defendeu a Escola, considerando-a "a invenção mais bonita da humanidade", deixando, contudo, o receio de que "se esteja a transformar numa linha de montagem de jovens tecnocratas de sucesso".

Muito mais do que respostas definitivas, a conferência cumpriu os objetivos a que se propôs, lançando perguntas, dúvidas e desafios para promover uma reflexão pública em torno de uma temática que interessa a todos.

Enquanto os mais crescidos debatiam, os mais pequenos participaram num atelier conduzido pela Associação de Professores de Filosofia e pelo Gymboree. No fim da conferência, o trabalho das crianças foi apresentado na Sala de Extrações, com um painel construídos pelos pequenos, que construíram a palavra "Educar".

15 de outubro de 2017