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O apoio domiciliário em debate no XIII Congresso Nacional das Misericórdias

11 Fevereiro 2019
Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, lembrou na sessão de encerramento da manhã do último dia do Congresso Nacional das Misericórdias que o apoio domiciliário deve ser adequado às pessoas e não aos modelos orgânicos das instituições.

"Em Portugal ainda se organiza o apoio domiciliário em função de modelos orgânicos e não em função da pessoa e dos cuidados que necessita e isso gera uma a degradação dos cuidados prestados", disse Edmundo Martinho.

Cerca de 700 congressistas participaram no XIII Congresso Nacional das Misericórdias, em Albufeira, no Palácio de Congressos do Algarve, promovido pela União das Misericórdias Portuguesas e que contou com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Na sessão moderada pelo provedor da Misericórdia de Lisboa com o tema "Apoio Domiciliário Medicalizado - Um Paradigma de Modernidade" Edmundo Martinho referiu as perspetivas demográficas que apontam para o envelhecimento da população portuguesa e indicou que o apoio domiciliário deve considerar diferentes áreas dos cuidados.

"Hoje as pessoas necessitam de cuidados que não estão ao alcance de uma só pessoa. É necessário englobar na prestação do apoio domiciliário a inclusão de várias áreas do saber, como a fisioterapia, para além daquilo que são as profissões tradicionais associadas a este tipo de cuidados", afirmou Edmundo Martinho.

Após a intervenção do provedor da Misericórdia de Lisboa usaram da palavra as oradoras convidadas Helena Bárrios, adjunta da direção clínica do Hospital do Mar e Lia Fernandes, professora da Universidade de Porto, que discutiram os paradigmas que o apoio domiciliário enfrenta nos dias de hoje.

Na sessão de encerramento do congresso o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou que o setor social é "insubstituível" no apoio à população idosa, apontando que o país irá continuar a envelhecer ao longo das próximas décadas.

"Vai ser preciso ter condições de acolhimento de uma população idosa cada vez mais numerosa, em que os hospitais públicos não devem servir para isso, porque têm outras prioridades, o setor privado não vai servir para isso, na grande maioria dos casos, e o setor social, também aí, é insubstituível", concluiu o presidente da República.

O Congresso Nacional das Misericórdias decorreu em Albufeira entre os dias 7 e 10 de fevereiro, sobre o tema "Missão, Rigor e Compromisso".