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Os sonhos não têm idade

Cinco personalidades foram distinguidas pelo "Prémio Envelhecimento Ativo Dr.ª Maria Raquel Ribeiro". Apoiado pela Santa Casa, este galardão reconhece a vida ativa e a participação social de pessoas com idade igual ou superior a 80 anos.

A cerimónia de entrega dos Prémios Envelhecimento Ativo Dr.ª Maria Raquel Ribeiro decorreu na passada sexta-feira, 24 de novembro, na Quinta Alegre, em Lisboa, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). O local não foi escolhido por acaso. Há uma razão: a Quinta Alegre é um dos mais emblemáticos projetos da instituição, graças ao seu cunho de intergeracionalidade, já que inclui áreas que juntam mais novos e mais velhos. 

A 6ª edição do Prémio Envelhecimento Ativo contou com as presenças de Sérgio Cintra, administrador da Ação Social da SCML, Carlos Beato, vogal da Fundação Montepio, Maria João Quintela, presidente da Associação Portuguesa de Psicogereontologia (APP), monsenhor Vítor Feytor Pinto, presidente da Assembleia Geral da APP e Maria Raquel Ribeiro, presidente do júri desta distinção.

Este prémio é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, em colaboração com a Misericórdia de Lisboa e a Fundação Montepio. É uma distinção anual que tem por objetivo reconhecer a vida e atividade de pessoas com 80 e mais anos, que continuam a desenvolver atividade profissional ou cívica relevante, em cada uma das categorias definidas.

Desta vez, os distinguidos foram cinco homens. Reúnem experiências e saberes diferentes, mas com um denominador comum: desde sempre foram ativos e lutaram pelas suas convicções. No discurso, mostraram alguma dificuldade para controlar a emoção. Mas a voz destes homens, no início trémula, foi ganhando firmeza e decisão à medida que apresentavam as razões do trabalho da sua vida. 

A sexta edição do "Prémio Envelhecimento Ativo Dr.ª Maria Raquel Ribeiro" distinguiu Arlindo de Azevedo Maria  (Intervenção Social); António Marcos Galopim de Carvalho  (Ciência e Investigação); António Coimbra de Matos (Ética e Saúde); Fernando Magalhães Crespo (Família e Comunidade) e José Belo Subtil (Família e Comunidade).

Emocionaram-se bastante, tremeram-lhes as pernas e agradecerem o reconhecimento prestado. "Parar é morrer", diz o ditado o popular. "Parar é morrer", disseram, igualmente, nas suas intervenções, os homenageados.

Sentem-se mais jovens do que são e não querem parar, embora o corpo já não obedeça e acompanhe a vontade da mente. Continuam a sonhar em fazer mais. "Estive sempre de férias. O que é uma maneira divertida de dizer que nunca deixei de trabalhar mesmo nos fins-de-semana e no tempo de férias", afirmou António Galopim de Carvalho. Sentimento partilhado, entre os distinguidos.

Na sua intervenção, Sérgio Cintra defendeu que "este galardão vem reforçar que a idade não tem obstáculos e vem ao encontro de uma das linhas de atuação que a Misericórdia de Lisboa tem privilegiado: a valorização de uma sociedade para todas as idades, promotora da intergeracionalidade, da autonomia, e do envelhecimento ativo e saudável".

"É com enorme orgulho que a Santa Casa se associa a esta iniciativa desde o seu início, em 2012. Reconhecer e distinguir o percurso de vida dos nossos mestres e mentores e que, ainda hoje, mantêm uma atividade profissional e cívica relevante é orgulho para todos nós", considerou.

O administrador acentuou, ainda, o cunho intergeracional do projeto da Quinta Alegre, o espaço que recebeu a 6ª edição do Prémio Envelhecimento Ativo.

Maria João Quintela, presidente da APP, defendeu que estes galardões são um apelo à participação, à inovação e um exemplo para a sociedade. Agradeceu aos galardoados, à Santa Casa e à Fundação Montepio, deixando um apelo: "que não se olhe para os mais velhos com um custo, mas como um valor inaliável".

O galardão simboliza a luta pela dignificação do envelhecimento ativo, da longevidade. Apoiado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pela Fundação Montepio e instituído pela APP, este prémio distingue a vida ativa e a participação social de pessoas com idade igual ou superior a 80 anos, que desenvolvam atividade profissional ou cívica relevante.

26 de novembro de 2017