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Reconstruir um país em duas rodas

De Faro até Katmandu são 11 787 quilómetros de distância. Artur Brito vai percorrê-los de mota, para ajudar a reconstruir seis aldeias, devastadas pelo sismo de 2015.

A 25 de abril de 2015, um terramoto devastou o Nepal, matando mais de 9 mil pessoas e destruindo mais de 800 mil casas. Um ano depois, Artur Brito vai partir de Faro, sozinho, numa mota, passando por uma dezena de países, até chegar a Katmandu.

A Expedição Nepal tem o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). Foi um reencontro entre a instituição e um dos seus "filhos". Artur foi acolhido pela Santa Casa entre os seis meses e os três anos, tendo sido adotado por uma família de Faro, há cerca de 50 anos.

A vida tinha mais partidas reservadas para Artur Brito. Aos 25 anos um acidente de mota obrigou-o à amputação da perna esquerda. O motard lembra os anos complicados que se seguiram, em que "parecia que todas as opções, todos os prazeres da vida tinham acabado ali". 

Hoje, com a força de vontade que emana, é difícil imaginar, mas Artur conta que pensou muitas vezes em desistir, acabando por fazê-lo "durante cerca de 23 anos, mas, não estava completamente preparado para desistir", reconhece. Depois de uma longa travessia no deserto de mais de 20 anos, percebeu que "a vida estava ali para ser vivida". Pediu ajuda, conseguiu aceitá-la, e voltou a sentir o prazer pela vida.

Uma noite, a navegar pela Internet, encontrou o projeto da Associação Obrigado Portugal, fundada por dois jovens portugueses que estavam no Nepal quando se deu o terramoto e desde então tentam reconstruir parte da área afetada. Artur sentiu necessidade de contribuir. Pensou no que podia fazer para apoiar a associação, e decidiu ligar "Portugal a Katmandu de mota e tentar arrastar o maior número de pessoas para aderir à causa e a participarem no trabalho da associação", explica.

A chegada a Katmandu está prevista para dia 10 de junho. Até lá, quem quiser acompanhar a viagem pode fazê-lo na página do facebook da Expedição Nepal. Nessa página há também a ligação para o site da Associação Obrigado Portugal, onde se pode contribuir para a causa.

Um reencontro simbólico

Antes de partir para o Nepal, Artur Brito voltou ao local de onde partiu há 50 anos para a sua nova família. Das poucas memórias que retinha das instalações da Santa Casa, lembra-se de um pátio com vista para o Castelo São Jorge onde brincava com as outras crianças.

Neste espaço reconheceu "um simbolismo muito forte em ser apoiado pela Santa Casa da Misericórdia no maior projeto" da sua vida. Artur explica que, "sendo também a instituição que me apoiou no princípio da minha vida, que me ajudou de certa maneira a ser quem sou, é muito especial e simbólico que aconteça 50 anos depois" de ter saído da Santa Casa.

O viajante escolheu uma mensagem para definir a sua expedição, "não tem a ver com aquilo que eu faço, tem a ver com aquilo que todos nós podemos fazer". É esse o desejo que Artur Brito deixa, de que tal como ele encontrou a sua forma de ajudar, outros possam perceber como podem contribuir para a reconstrução daquele país. 

21 de abril de 2016