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Um dia para celebrar uma vocação

No Dia Internacional do Enfermeiro fomos conhecer alguns dos 340 enfermeiros que trabalham na Santa Casa. 

Eles cuidam dos doentes, apoiam as famílias, aconselham a prevenir a doença, protegem e encaminham. São enfermeiros e o seu dia é celebrado esta quinta-feira em todo o mundo.

Data também para homenagear Florence Nightingale nascida a 12 de maio de 1820 em Florença, Itália. Aos 16 anos e contra a vontade dos pais, acreditava que ser enfermeira era o seu propósito divino. A fundadora da enfermagem moderna destacou-se durante a guerra da Crimeia, quando liderou uma equipa que melhorou as condições sanitárias de um hospital britânico, sendo pioneira no tratamento de feridos de guerra. Na data do seu nascimento celebra-se o Dia Internacional do Enfermeiro.

A Direção de Saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) tem a seu cargo 11 unidades de saúde e as unidades móveis do Núcleo Saúde Mais Próxima. Dos 95 enfermeiros da direção, a maioria são de cuidados gerais, tendo subjacente a “promoção da saúde, prevenção da doença e combate prematuro a episódios específicos que são encaminhados para áreas de especialidade, numa lógica de continuidade de cuidados”, conta-nos Maria Manuela Marques, Enfermeira-Diretora da Direção de Saúde da SCML.

Esta direção tem ainda enfermeiros com especializações em saúde materna, saúde infantil e pediatria, saúde mental e de reabilitação. Maria Manuela Marques explica que “a Santa Casa investe muito na formação em contexto de serviço”, algo que valoriza estes profissionais e é uma imagem de marca da instituição.

Em 2016 o tema da efeméride é Enfermeiros: uma força para a mudança. Para assinalar a data, a Enfermeira-Diretora deixa o apelo para que estes profissionais “continuem a ser essa força para a mudança”, agradecendo por mais um ano de empenho no trabalho e com um desejo: “que continuem a ser exemplo de resiliência e a contribuir para que a Misericórdia continue a representar uma imagem de excelência ao nível da prestação de cuidados de enfermagem”.

No Dia Internacional do Enfermeiro fomos conhecer uma unidade de saúde e um hospital da SCML, com características distintas, mas onde estes profissionais trabalham diariamente com um objetivo comum, dar o melhor tratamento possível aos doentes.

Ser enfermeiro numa unidade que atende mais de mil pessoas por dia

Na Unidade de Saúde Dr. José Domingos Barreiro 14 enfermeiros estão distribuídos pelo lar da Quinta das Flores, apoio domiciliário e no apoio à pediatria, saúde infantil e a todas as outras especialidades.

Enfermeira há 13 anos, 12 dos quais ao serviço da Santa Casa, Ana Grosso está há quatro na Domingos Barreiro. Esta unidade presta cuidados de saúde primários e disponibiliza consultas de especialidade. Por aqui passam diariamente mais de mil utentes, “o que requer um volume de trabalho muito significativo”, explica Ana Grosso.

Com vários familiares na área da saúde, a escolha da profissão recaiu num ramo “que fosse mais pessoal e em que tivesse maior contacto com as pessoas para contribuir para o seu bem-estar”, conta. Na sua opinião, o mais difícil na profissão é “não conseguir corresponder às expetativas dos utentes”. Ana Grosso explica que “boa parte da população tem necessidades imediatas gravosas e enquanto unidade de saúde não conseguimos responder da forma como se pretende às suas necessidades”.

A realidade socioeconómica do público-alvo desta unidade obriga a uma permanente articulação com o serviço social. Ana Grosso acredita que “sem esse trabalho de parceria entre a saúde e o social não conseguíamos fazer um tão bom trabalho e é isso que diferencia a atuação da Misericórdia de Lisboa de outros locais, mesmo a nível hospitalar”.

Os enfermeiros da Santa Casa são muitas vezes uma porta de entrada para o acesso aos cuidados de saúde da comunidade. Ana Grosso sente que acompanhar durante vários anos agregados familiares permite a estes profissionais “perceber as redes de vizinhança e estar junto da comunidade” e as pessoas sabem que têm no enfermeiro uma ponte de apoio e reconhecem esse papel.

Para a enfermeira a efeméride que hoje se assinala é “a comemoração desse reconhecimento” e um dia em que se podem “desenvolver atividades de divulgação de boas práticas e do trabalho de excelência desenvolvido por vários colegas, tanto na Misericórdia como noutros serviços”.

Qualidade e continuidade de cuidados no Hospital de Sant’Ana

No Hospital de Sant’Ana (HOSA) 68 enfermeiros estão distribuídos por sete serviços: Consulta Externa, Internamento 1 e 3, Quartos Particulares, Recobro, Bloco Operatório e Central de Esterilização. Estes profissionais acompanham os doentes que são operados no hospital em todos os momentos, 24 horas por dia.

O acompanhamento permanente garante “a continuidade e qualidade dos cuidados”, explica a Enfermeira-diretora do HOSA, Antónia Fernandes. Os enfermeiros trabalham de forma a diminuir as ansiedades e dúvidas que os doentes trazem antes da cirurgia, “há um acompanhamento contínuo, muito mais do que apenas a nível de hospital, começa antes e continua depois da operação”, sublinha Antónia Fernandes.

Na Consulta Externa, Maria Antonieta, com 38 anos de Santa Casa e 13 no HOSA conta-nos que “as pessoas chegam com medo, sem saber o que as espera”. A intervenção nesta consulta ajuda a que o doente “colabore para uma recuperação mais rápida”, sempre de acordo com as necessidades da pessoa.

Para Maria Antonieta, a passagem por esta consulta contribui para que o doente chegue a esse serviço “esclarecido sobre o que tem de fazer e vai colaborar muito mais facilmente com a enfermeira do internamento e com as terapeutas, porque já sabe o que se espera dele”.

No Internamento 3 encontramos a Enfermeira Leonor Carvalho, que trabalha no HOSA há 13 anos. É uma das profissionais que faz o acolhimento do doente e da família e articula com as outras áreas para preparar desde logo a alta hospitalar. Leonor Carvalho esclarece que “são realizados uma série de ensinos tendo em conta a cirurgia, é tudo explicado ao doente e à família para reduzir a ansiedade da pessoa”. São também abordadas várias práticas que permitam “que retome mais rapidamente a sua independência”.

Enquanto está no Internamento o doente tem um enfermeiro de referência. Este profissional está por dentro da situação do doente e, sempre que necessário, consegue dar uma resposta personalizada, o que “tranquiliza muito a família e o doente”, conta Leonor Carvalho.

Com 25 anos de experiência no bloco operatório do HOSA, a Enfermeira Costa Neves explica que sempre que possível “começamos o contacto com o doente na visita pré-operatória”, para o doente estar mais à vontade, porque “o bloco é um sítio desconhecido para a maior parte das pessoas”.

No dia da cirurgia, para além dos outros profissionais de saúde, o doente é acompanhado por três enfermeiros no bloco: o de anestesia, que recebe o paciente, o circulante, que prepara o espaço para o receber e o instrumentista, que presta apoio ao cirurgião. Para todos os materiais necessários para a operação estarem disponíveis contribui o trabalho feito previamente na Central de Esterilização.

A enfermeira considera que para estar no bloco é necessária uma grande preparação porque “há aqui uma tensão muito grande” e é necessário ter capacidade de resposta para as situações que surgem durante a operação. O que a move, diz, é “poder estar lá para os outros, estar disponível para alguém que precisa nos momentos mais frágeis da sua vida”.

No Recobro, Lurdes Pinto, com 31 anos de trabalho no HOSA, recebe os doentes após a cirurgia, monitoriza o seu estado e acompanha-o durante o período que passa neste serviço. Também aqui é necessário gerir a ansiedade do paciente, que muitas vezes chega ao recobro ainda sob o efeito da anestesia e nem sempre lida da melhor forma com essa situação.

Sobre a data que hoje se celebra, Lurdes Pinto acha que “é importante que haja um dia em que se lembrem dos enfermeiros”. A enfermeira soube “desde miúda” que queria seguir esta carreira. Mais do que os aspetos mais óbvios e inerentes à profissão, Lurdes Pinto destaca uma faceta menos visível no contacto com os doentes, “somos os ouvintes deles, isso é muito importante”, conclui.

Quando sai do Recobro o doente volta para o Internamento, onde é novamente recebido pela enfermeira de referência. Toda a informação relevante é partilhada por todos os profissionais envolvidos neste processo. Muito depois da operação o doente continua a contactar com o hospital e com os seus enfermeiros, seja para realizar tratamentos, seja para avaliar a sua recuperação.

No HOSA, na Domingos Barreiro e em todos os serviços da Santa Casa em que colaboram estes profissionais, o Enfermeiro é um elemento chave para o acompanhamento que os utentes recebem quando recorrem à instituição. O Dia Internacional do Enfermeiro é uma oportunidade para lembrar esta profissão e para reconhecer o trabalho que é desenvolvido diariamente.


12 de maio de 2016

Paulo Rosa