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Unidade W Mais assegura apoio psicológico gratuito na cidade de Lisboa

A prevenção dos comportamentos de risco é um dos principais objetivos do trabalho de 11 psicólogos, dois enfermeiros e uma terapeuta ocupacional

Há vítimas de maus-tratos, de violência doméstica, de abuso sexual, de bullyng. Há casos de gravidez na adolescência, de insucesso escolar, ausência de planeamento familiar e de prevenção de infeções sexualmente transmissíveis. E há jovens sinalizados como delinquentes, pais a quem os tribunais retiraram os filhos. Todos os dias as portas da Unidade W Mais, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa se abrem para receber pessoas com este tipo de problemas e para lhes dar apoio psicológico gratuito.

Dirigido pela psicóloga Isabel Queiroz de Melo, este serviço localizado na rua Duque de Palmela, em Lisboa, foi criado em 2003, durante a provedoria de Maria José Nogueira Pinto, com o principal objetivo de prestar apoio psicológico e planeamento familiar gratuito a jovens dos 12 aos 24 anos consideradas de risco devido ao seu contexto social ou familiar. 

Onze anos depois, esta unidade pioneira assegura a cobertura da cidade de Lisboa e nunca recebeu tanta gente a quem dá tão grande variedade de respostas a nível bio-psico-social.  

Inicialmente vocacionada para apoiar os jovens de risco, a sua ação estendeu-se, a partir do ano 2010, a todas as faixas etárias. Basta ser portador do cartão de saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que pode ser solicitado na Direção de Emergência e Apoio à Inserção ou nas Direções de Ação Social.

Segundo os dados disponíveis, o número de "utentes ativos" na Unidade W até final do ano passado, era de 1734, a maioria dos quais do sexo feminino

"Somos procurados predominantemente para intervenção psicoterapêutica com pessoas em situação de risco e vulnerabilidade psicológica", diz Isabel Queiroz de Melo. 

Prevenir comportamentos de risco e promover estilos de vida saudáveis

Distúrbios como a ansiedade e a depressão, estão entre as razões de pedidos de ajuda. Mas a intervenção do serviço onde trabalham 11 psicólogos, dois enfermeiros, um terapeuta ocupacional e uma assistente social "vai muito além do pedido que é formulado, visando-se uma abordagem preventiva e integrativa", esclarece a responsável pela Unidade W Mais. Sobretudo, procura-se "prevenir comportamentos de risco e promover estilos de vida saudáveis", como refere a enfermeira Maria João Alves. Ao enfermeiro "cabe a identificação e a deteção precoce de necessidades em saúde do utente, procedendo ao encaminhamento adequado para as várias respostas médicas existentes na instituição ou até mesmo, para outros recursos da comunidade", esclarece. 

A falta de médico de medicina geral e familiar que possa responder às necessidades dos jovens em matéria de planeamento familiar e num âmbito de cuidados de saúde são as principais dificuldades apontadas por Isabel Queiroz de Melo, à eficácia da intervenção.

Projetos inovadores reinventam a Unidade W Mais em resposta às necessidades que vão sendo detetadas. A psicóloga Sónia Santos fala-nos do projeto   "Ocupa-te+" dirigido aos jovens com dificuldade em prosseguir cursos profissionais e do Teatro Terapêutico que já levou adolescentes com percursos de vida difíceis a representar com êxito peças como "Os Capitães da Areia", de Jorge Amado e  "O Principezinho", de Saint-Exupéry.  "Quando começam as palmas, eles sentem-se os melhores do mundo. Sentem o sucesso e acreditam que é possível", afirma a psicóloga.

Conquistas de um trabalho desenvolvido ao longo dos anos que não seria possível sem o contributo de toda a equipa envolvida, como faz questão em destacar Isabel Queiroz de Melo.

17 de janeiro de 2014