Santa Casa premeia investigação em neurociências
O Palácio Nacional da Ajuda recebeu esta quarta-feira, 30 de novembro, a 4ª edição dos Prémios Santa Casa Neurociências, que atribuiu 400 mil euros a dois projetos de investigação. 

Foram conhecidos esta quarta-feira, 30 de novembro, os vencedores dos Prémios Santa Casa Neurociências 2016, num evento presidido pelo primeiro-ministro, António Costa, e com as presenças do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva; do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Pedro Santana Lopes; do Júri e dos representantes das equipas vencedoras.

Uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e outra da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto foram as grandes vencedoras desta 4ª edição, tendo sido galardoadas com um prémio de 200 mil euros cada uma.

O Prémio Mantero Belard 2016 foi entregue a Sandra M. Cardoso, investigadora responsável, e à sua equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, pelo projeto "Efeito toxinogénico da microbiota intestinal na doença de Parkinson esporádica: à procura de "antiPDbióticos". 

Este estudo assenta na comunicação entre os micróbios que colonizam o intestino, a microbiota intestinal e as células do sistema nervoso. A equipa partiu de pistas que indicam que existem bactérias que, embora não sendo patogénicas, podem produzir e libertar neurotoxinas que afetam o funcionamento dos neurónios. Este novo paradigma aponta para que a doença de Parkinson idiopática possa ser uma patologia com uma componente infeciosa e que possa vir a ser tratada com antibióticos.

Já o Prémio Melo e Castro 2016 foi atribuído a Célia da Conceição Duarte Cruz e à sua equipa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que concorreram com o projeto "INSPIReD - Disfunção da bexiga após lesões vertebromedulares: identificação dos mecanismos de aparecimento e manutenção da hiperatividade neurogénica do detrusor e dissinergia detrusor-esfincteriana". 

Com este projeto, a equipa de investigação pretende intervir numa fase precoce da doença, para tentar prevenir o aparecimento da incontinência urinária (um dos principais problemas dos doentes com lesão vertebromedular), sendo que os tratamentos atualmente disponíveis não são 100% eficazes e não revertem a incontinência urinária instalada. Pretende, também, esclarecer os mecanismos moleculares subjacentes ao desenvolvimento desta disfunção urinária.

No seu discurso, o provedor da SCML, Pedro Santana Lopes, sublinhou que este dia e que esta iniciativa têm, para a Santa Casa, um "significado especial". Mostrou-se, igualmente, grato e satisfeito pelo Governo, e pelo ministério do Trabalho, Segurança e Solidariedade Social em particular, darem total apoio à Misericórdia de Lisboa nas diversas áreas em que atua.

O provedor aproveitou ainda a cerimónia para anunciar um novo prémio, que será uma homenagem ao professor João Lobo Antunes, figura que, aliás, foi alvo de reconhecimento na abertura do evento.

Este prémio terá o nome do professor, destina-se a jovens médicos recém-licenciados e tem como objetivo contribuir para a excelência na investigação clínica.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro, António Costa, felicitou os vencedores e todos os que concorreram. Elogiou, também, a Santa Casa por, através desta iniciativa, "incentivar todos aqueles que são investigadores e que trabalham na investigação científica, em duas áreas fundamentais: lesões vertebromedulares e doenças neurodegenerativas".

António Costa frisou, também, o "papel essencial da Santa Casa" noutras áreas fundamentais para a sociedade, nomeadamente nos cuidados continuados, relembrando o Hospital da Estrela, propriedade da SCML que será vocacionada para esta especialidade, e o recém-acordo com o Hospital Pulido Valente.

Santa Casa investiu 1,6 milhões de euros em investigação, em quatro anos

Os Prémios Santa Casa Neurociências foram criados em 2013, por iniciativa do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes, e representam um investimento anual de 400 mil euros na área da investigação científica e neurociências, repartidos em dois prémios. O Prémio Melo e Castro, no valor de 200 mil euros, destina-se à recuperação e tratamento de lesões vertebromedulares, domínio em que Santa Casa foi pioneira no país quando, em 1966, abriu o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão. Relativamente ao Prémio Mantero Belard, também no valor de 200 mil euros, distingue o tratamento de doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento, de que são exemplos o Parkinson e o Alzheimer.

Através desta iniciativa, a SCML pretende contribuir de forma significativa para um futuro melhor, promovendo a investigação médica e científica de excelência na área das neurociências.

Este ano, os Prémios Santa Casa Neurociências privilegiaram projetos de investigação com uma forte componente clínica, que possibilitem a recuperação e melhoria na qualidade de vida das pessoas afetadas.

Os vencedores foram escolhidos por um júri presidido por Isaura Tavares, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências, sendo também constituído por José Ferro (Universidade de Lisboa); Maria João Saraiva (Universidade do Porto); Catarina Resende Oliveira (Universidade de Coimbra); Vítor Oliveira (Sociedade Portuguesa de Neurologia); Catarina Aguiar Branco (Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação); George Perry (College of Sciences, University of Texas); Henry Markram (École Polytechnique Fédérale De Lausanne); e Brian Cummings (University of California Irvine).

Os Prémios Santa Casa Neurociências orgulham-se de ter como parceiros a Universidade de Coimbra, a Universidade de Lisboa, a Universidade do Porto, a Sociedade Portuguesa de Neurociências, a Sociedade Portuguesa de Neurologia e a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação. 



30 de novembro de 2016


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