Enrique Mantero Belard
Mantero Belard nasceu em Lisboa em 1903. Desde cedo que se ocupou dos negócios da empresa de família, a Sociedade Francisco Mantero, firma dedicada à comercialização de produtos produzidos em São Tomé e Príncipe, entre os quais o cacau ocupa lugar de destaque. Herda um património representativo de uma vasta fortuna, conquistada a pulso nos séculos XIX e XX, nas roças de São Tomé e Príncipe, pelas duas gerações precedentes. Herda também um traço familiar comum a vários parentes: a vontade de fazer o bem ao próximo. 

Do casamento com Gertrudes Eduarda Verdades de Faria não deixou descendência, "apenas" uma dádiva pública ímpar, fruto de um casal que combinava, com sapiência, a fortuna, a cultura, o método, a generosidade, o apreço pelas artes e o extraordinário altruísmo. Estes foram os ingredientes que deram origem a uma obra humanitária singular, a nível nacional.

Desta generosidade destacam-se sobretudo a Residência Faria Mantero e os Prémios Nunes Correa Verdades de Faria, que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa hoje tutela.

O primeiro é hoje morada de um equipamento residencial da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, destinado a acolher "pessoas idosas, cultas, de mérito e necessitadas". Com esta iniciativa e vontade, firmadas pelo punho de Enrique Mantero Belard, consegue dar corpo a uma resposta pioneira, não só no seu universo da Santa Casa, como também à escala nacional. Assiste-se, desta forma, à inauguração de uma nova modalidade de assistência no País.

O segundo ganha visibilidade todos os anos, no momento de atribuição dos Prémios Nunes Correa Verdades de Faria, prémios monetários destinados a distinguir as três personalidades que, em Portugal, mais tenham contribuído para: "o cuidado e carinho dos velhos desprotegidos; o progresso na medicina na sua aplicação às pessoas idosas; o progresso no tratamento das doenças do coração". 

Da genealogia altruísta não pode ser ainda esquecido outro "descendente": a Casa Museu Verdades de Faria, legado deixado à Câmara Municipal de Cascais. Outrora residência do casal, alberga, atualmente, o Museu da Música Portuguesa, de portas abertas à fruição dos visitantes. 

O seu legado tornou-o num dos maiores beneméritos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Do imenso remanescente da sua herança, foram também destinatários da sua vasta fortuna, a Cruz Vermelha Portuguesa e o Estado Português.

Em 1974, Enrique Mantero Belard foi vítima de um enfarte do miocárdio, acabando por falecer na mesma cidade onde nasceu. Pelas mãos dos seus legatários, a sua obra e generosidade perpetuam-se.