Reportagem da Semana
17 apartamentos terapeuticamente assistidos
Para apoiar as pessoas mais vulneráveis, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), tem 17 Apartamentos Terapeuticamente Assistidos (ATA) na capital. 

O prédio número 60 da Avenida Almirante Reis, pintado de azul claro e situado numa das mais importantes artérias da cidade de Lisboa é igual a tantos outros da zona. A diferença é que pertence à SCML. É o Centro de São José (CSJ) que dispõe de um dos 17 Apartamentos Terapeuticamente Assistidos (ATA) onde são acolhidas pessoas carenciadas, isoladas, ou em situação social e familiar precária, e que necessitam de acompanhamento terapêutico por motivo de doença ou dependência. 

No interior do apartamento, salta à vista a variedade de mobílias, umas mais antigas do que outras, doações de várias pessoas. Os quartos estão totalmente equipados, todos  têm cama, secretária, mesa-de-cabeceira, tapetes e cortinados coloridos nas janelas.  

Neste apartamento vivem, maioritariamente, homens com uma média de idade de 40 anos. Todos os utentes são portadores de doença crónica, com necessidade de terapêutica. Predominam as doenças psiquiátricas, mas há também doentes com patologias infectocontagiosas, como SIDA, hepatite ou tuberculose pulmonar.

Diariamente, uma equipa jovem, multifacetada, dinâmica e comprometida com os objetivos do Centro, composta por enfermeiros, psicólogos, monitores e auxiliares, presta o apoio necessário ao bom funcionamento do espaço.

O Centro, que até à sua requalificação em junho de 2014, funcionava como um lar, passou gradualmente a assumir novas valências. Atualmente, os utentes podem usufruir não só de espaços para descansar e fazer a sua higiene diária, mas também de refeições diárias, atividades lúdicas, formativas e culturais, já que o edifício integra todas as atividades de um centro de dia.

O responsável da Direção da Unidade de Acompanhamento Terapêutico (UAT), enfermeiro João Geraldo, explica que estas unidades "devem estar ao serviço de toda a população carenciada que, por qualquer circunstância, está sozinha e em graves dificuldades económicas".

Para o diretor, o grande objetivo destes apartamentos, é proporcionar aos utentes "as competências e as valências necessárias para a inclusão de novo na sociedade", depois de "estabilizarem a sua situação de saúde".

F.V, utente do CSJ há um ano, sofre de doença psíquica e está à espera de uma entrevista de emprego - o "primeiro passo" para voltar a ter " uma vida normal".
 
Nestas unidades, os utentes são encorajados a viver o seu dia-a-dia de uma maneira autónoma. Cada casa tem um responsável, escolhido pela sua capacidade de organização, que faz a ligação com os técnicos e gere as tarefas domésticas.

B. D, com 64 anos, vive também num destes apartamentos com outras seis mulheres. "Estava no hospital, doente, e depois fui para o Centro de Santa Maria Madalena. Agora vivo com outras pessoas e damo-nos todas bem. Tive a oportunidade de conhecer lindas pessoas", afirma.

A adaptação a uma nova realidade, em comunidade, nem sempre é fácil e imediata. "Ao princípio, a adaptação foi um bocado estranha" mas, com o passar do tempo, "fui reintegrado. Hoje olho para trás e vejo, com felicidade, a oportunidade que tive quando me aceitaram aqui", conta.

No ano passado foram registadas 35 saídas do Centro. A maioria das pessoas teve sucesso no plano de intervenção e de inclusão na comunidade.

Além deste Centro, integram a UAT, pertencente à Direção de Intervenção em Públicos Vulneráveis, as Residências Madre Teresa de Calcutá e de Santa Rita de Cássia e o Centro de Santa Maria Madalena.


6 de janeiro de 2017

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