Reportagem da Semana
A vontade de ajudar o próximo
João Barata é voluntário da Santa Casa, prestando apoio domiciliário a uma senhora idosa e guarda desta experiência as melhores recordações.

São cada vez mais as pessoas que assumem o voluntariado como forma de estar na vida. Homens e mulheres, estudantes, reformados ou em idade ativa, dedicam o seu tempo para dar aos outros. Ninguém espera nada em troca, mas todos sem exceção mostram-se compensados quando recebem um simples sorriso. Esta é a história de um deles.

A narrativa de João Barata, de 22 anos, é feita de alma e divide-se em duas grandes paixões, ajudar quem mais precisa e o mestrado em Turismo, que está a concluir na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. 

Aos 18 anos, quando entrou na faculdade, João Barata decidiu que "estava na altura de retribuir um pouco o que a vida me deu" e desde esse momento "que a vontade de ser voluntario crescia em mim", diz. Foi através da mãe que trabalha na Santa Casa que João descobriu a possibilidade de ser voluntário da Misericórdia de Lisboa. Apesar de ter idealizado inicialmente ser voluntário com crianças, foi no Centro de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian que começou a ser voluntário, prestando apoio "no que fosse necessário". Aí ficou poucos meses, por não conseguir conciliar os estudos com o voluntariado.

Em 2014, Barata, nome pelo qual é conhecido no seu círculo pessoal, sentiu que algo estava em falta na sua vida.

"No início de 2014, senti a necessidade de continuar a fazer voluntariado. Na altura quis fazer apoio domiciliário, até porque me imaginei numa situação de solidão e só pensei que se fosse comigo, gostaria de ter alguém com quem falar", comenta o jovem.

E foi assim que o jovem estudante começou a fazer apoio domiciliário, todas as quartas-feiras à hora de almoço, à D.ª Alice, de 91 anos. A sua atividade "consiste em combater a solidão" dessa senhora. "Um dia por semana vou a casa da D.ª Alice e passamos horas juntos a conversar, a ver fotografias antigas, a falar sobre a atualidade e a ver televisão", diz, João.

"Tem sido um período em que cresci imenso enquanto ser humano", comenta. "Comecei a dar valor a pequenas coisas que não dava antes" e a convivência coma D.ª Alice deixa "marcas que vão ficar para sempre na minha memória".

A boa disposição e generosidade da D.ª Alice é o que João guarda da experiência até agora, além da felicidade que mostra sempre que vê o álbum de fotografias do seu casamento. "É surpreendente como um simples olhar para fotografias do passado, um gesto tão simples, mexa tanto com as emoções da D.ª Alice".

Embora acamada, D.ª Alice tem sempre uma enorme preocupação e carinho em saber como o João está nas aulas e na sua vida pessoal. "O sorriso que me dá sempre que vou a casa dela é a minha maior motivação", conta Barata. "Estas atitudes fazem-me perceber o quanto a minha companhia é importante para ela". Afinal "ser voluntário é, acima de tudo, dar sem pedir nada em troca".

Paralelamente ao apoio domiciliário, Barata dá, ainda, apoio escolar a um jovem de 20 anos, nas disciplinas de Inglês e Matemática, no Instituto Condessa de Rilvas. 
O jovem que acompanha vem de um ambiente familiar "complicado, com muitas carências económicas e afetivas".

Em cada sessão de apoio escolar, o voluntário faz questão de incutir acima de tudo "metodologias de estudo", embora reconheça que "o horário do apoio escolar serve também para conviver e falar de tudo um pouco".

Deste período da sua vida guarda muitas aprendizagens. Uma delas é que " a amizade é possível mesmo existindo um gap geracional tão grande". Outra, não menos importante, é que "a nossa sociedade deve cultivar o coletivo em prol do individual".


As boas causas moram aqui

Os números que envolvem o voluntariado da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa são impressionantes. Atualmente são mais de 500, atuam em cerca de 100 equipamentos, e chegam a perto de oito mil utentes. Trabalham em diversas áreas, sendo de destacar três: ação social, saúde e cultura. 

Por retratarem na perfeição a missão da Santa Casa - ajudar e apoiar as pessoas mais vulneráveis da comunidade - é com um sorriso rasgado que Luísa Godinho, diretora do Gabinete de Promoção do Voluntariado da Santa Casa, diz que "os voluntários acrescentam um valor muito significativo à ação da Misericórdia de Lisboa."
Luísa Godinho admite que há muita gente que pensa que só é voluntário "quem está desempregado, reformado ou não tem nada para fazer". Contudo, esclarece, "essa ideia não corresponde à realidade. A maior parte dos voluntários trabalha ou estuda e está em idade ativa, sendo a sua maioria mulheres".

Independentemente do perfil dos voluntários, todos têm um denominador comum: "uma vontade genuína de ajudar o outro", sendo "um dos recursos mais importantes que a Misericórdia de Lisboa tem", frisa a diretora.

Para fazer como as centenas de pessoas que todos os dias fazem a diferença na vida de muitos utentes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e ser voluntario da instituição, preencha e envie a ficha de inscrição disponibilizada aqui ou dirija-se ao Gabinete de Promoção ao Voluntariado, no Largo Trindade Coelho, em Lisboa.

Saiba Mais sobre o Voluntariado da Santa Casa aqui.

25 de maio de 2017

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