Reportagem da Semana
Ajudar quem mais precisa
Belmira Santos, octogenária, perdeu a mobilidade, mas não a esperança. Talvez tenha sido em África que arranjou coragem para continuar. Mas foi certamente em Portugal que viu a luz ao fundo do túnel.

Foi o Serviço de Gestão de Produtos de Apoio, da Misericórdia de Lisboa, que mudou radicalmente a vida de Belmira, ao disponibilizar uma cadeira de rodas elétrica que lhe devolveu o brilho nos olhos.

Aos cinco anos, a sua vida vira de cabeça para baixo. Depois de análises de rotina, é-lhe diagnosticada uma poliomielite, doença infeciosa viral, conhecida como paralisia infantil.

“Sempre fui muito mexida, embora de forma condicionada. A minha família apoiou-me a sair de casa e a não me entregar à solidão e ao desespero”, conta, emocionada.

Enfermeiro em Luanda, o seu pai tem um papel fundamental no acompanhamento da sua doença, apesar de ter consciência que a solução estaria fora de Angola.

Esta procura acontece quando Belmira, mãe de três filhos e já com netos, decide embarcar para Portugal. 

É no bairro de Alvalade que começa a refazer a sua vida. Costureira exímia, vai vivendo o dia-a-dia com coragem e determinação. Até que um dia, enquanto fazia as lides domésticas, cai e fratura o fémur. “Desde então, fiquei numa cadeira de rodas”, conta.

Através dos filhos, toma entretanto conhecimento da existência do Serviço de Gestão de Produtos de Apoio da Santa Casa. “Agradeço muito à Misericórdia de Lisboa e a todos os técnicos por me oferecerem uma cadeira de rodas elétrica. Para mim foi como renascer, uma nova vida”, conta a octogenária.

As rotinas regressam, assim, naturalmente e os desejos mais simples vão-se concretizando, como o de ir ao cinema, uma paixão de criança. Mas o maior desejo que Belmira acalenta é ver os seus netos crescer, sempre com “orgulho na avó”.

Um serviço que devolve a esperança

Criado em 2012, o Serviço de Gestão de Produtos de Apoio (SGPA), da Misericórdia de Lisboa, empresta ou financia produtos, que proporcionam maior qualidade de vida dos seus utentes, disponibilizando cadeiras de rodas, camas articuladas, canadianas, andarilhos, entre outros aparelhos. O serviço apoia mais de 4000 utentes, na sua maioria idosos acamados.

Cristina Vaz de Almeida, diretora desta área, salienta que o SGPA “prolonga a vida das pessoas que beneficiam dele”, cumprindo-se, assim, a “missão da Santa Casa”.


A colaboração com vários parceiros tem sido essencial para o sucesso do SGPA. A AGAPE, fundação sueca, é um dos exemplos mais relevantes. Doa, anualmente, centenas de produtos, que são distribuídos por quem mais precisa, a quem deve ser dado um apoio “continuado”, defende a diretora. 

Nos últimos anos, o número de pessoas que pertenciam à classe média e que entraram em situação de vulnerabilidade, tem crescido exponencialmente, o que tem exigido mais esforço e dedicação da equipa deste serviço, refere Cristina Vaz de Almeida.

Apesar das dificuldades, a diretora considera que há muitos casos de “sucesso”. Além disso, “a união e o bom ambiente que se respira” na equipa contribuem diariamente para que tudo corra pelo melhor.

30 de março de 2017
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