Reportagem da Semana
“Aqui nascerá muito mais que um hospital”
O Hospital da Estrela, propriedade da SCML, vai quebrar com todos os padrões de um hospital convencional. Nesta unidade de cuidados continuados integrados, cada doente terá um plano de recuperação personalizado.

Quando se pensa num hospital, imagina-se, normalmente, um local soturno, com pessoas doentes, deitadas em camas enquanto recuperam. 

No futuro Hospital da Estrela, espera-se tudo menos isto.

Neste equipamento, dedicado aos cuidados continuados integrados, ou seja, a pessoas dependentes e sem autonomia, “cada doente terá um plano personalizado de recuperação. Serão todos incentivados a vestirem a roupa mal acordem (não queremos que fiquem de pijama), a saírem da cama. Terão, depois, à disposição uma série de atividades que os ajudarão na recuperação. Portanto, o doente só ficará na cama se não houver mesmo outra hipótese”, explica Ana Jorge, coordenadora da Unidade de Missão para o Hospital da Estrela.

Esta unidade de saúde vai ter vários espaços lúdicos e terapêuticos, como um ginásio para fisioterapia, uma sala de estar, uma sala para estimulação cognitiva e um local para treinos da vida diária. Este último espaço é uma réplica de uma casa e tem como objetivo ensinar o doente (e a sua família) a reaprender a realizar tarefas do dia-a-dia, como vestir-se, lavar os dentes, tomar banho, cozinhar, entre outras.

Vai existir, também, um plano diário com animações para as manhãs e tardes, do qual constarão atividades tais como cinema, teatro, jogos, arraiais, com o objetivo de proporcionar aos utentes momentos de qualidade, tendo também uma finalidade terapêutica.


SCML pioneira em Lisboa nos cuidados continuados infantis 

Quando comprou o Hospital Militar da Estrela, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) pretendia contribuir para diluir a enorme lacuna existente no país, no âmbito dos cuidados continuados, nomeadamente no que se refere a falta de camas. Imbuído desta intenção, o Hospital da Estrela vai oferecer três unidades distintas.

A primeira integra a Unidade de Média Duração e Reabilitação (UMDR), para doentes que carecem de cuidados de saúde e reabilitação até 90 dias e a Unidade de Longa Duração e Manutenção (ULDM), destinada a doentes com internamento superior a 90 dias. Ambas ficam disponíveis no edifício da Torre, têm um total de 78 camas de internamento para adultos, distribuídas por 6 pisos. 

A segunda integra a Unidade de Cuidados Integrados Pediátricos (UCIP) e constitui um projeto pioneiro na zona sul, uma vez que é a primeira resposta do género nesta área do país.

A UCIP está vocacionada para crianças e jovens até aos 18 anos (e, em algumas situações, até aos 24), portadores de doença crónica complexa, ou com necessidades de saúde, independentemente do diagnóstico. Prestará cuidados em ambulatório e internamento, em dez camas, e com dez espaços para a área de dia, entre os quais uma enorme sala de brincar. Este espaço funcionará como centro de dia, permitindo que o cuidador descanse ou trabalhe.

Uma vez que os pormenores fazem a diferença e que está provado que os animais têm um efeito terapêutico nas crianças, a UCIP terá um cão como mascote, que já tem nome: Estrela.

Está também pensada, conta Ana Jorge, a criação de uma equipa de apoio domiciliária na área pediátrica. “Esta é uma carência muito notada e vamos trabalhar, juntamente com as instituições hospitalares que têm estas crianças, para vermos como é que se pode cooperar neste sentido. Até porque não há nenhuma equipa deste género em Lisboa”, explica.

Por fim, a terceira unidade vai atuar na área das demências. Segundo Ana Jorge, esta unidade “também vem dar resposta a uma grande necessidade da cidade”. Os moldes em que irá funcionar ainda estão a ser avaliados, uma vez que “enquanto na área dos cuidados continuados há tipologias muito bem definidas para fazer um internamento, neste caso o mesmo não se aplica”, esclarece. 

Ainda relativamente a esta última unidade, o “objetivo não é entrar só nos internamentos. A ideia é tentar encontrar um modelo de intervenção que tenha várias tipologias de ambulatório, de consultas, de formação, uma área de dia, entre outras valências”, diz a coordenadora da Unidade de Missão deste hospital.


A Misericórdia de Lisboa como parceira do Estado

Com uma área total de 17 mil metros quadrados, o Hospital Militar da Estrela, que será a maior unidade de cuidados continuados de Lisboa, foi transferida do Ministério da Defesa para a Misericórdia de Lisboa, por cerca de 15 milhões de euros. 

Toda a infraestrutura está a ser recuperada e o projeto da Torre, que deverá custar à Santa Casa cerca de 7 milhões de euros, já está aprovado em Câmara, devendo as obras arrancar ainda este ano. “O grande objetivo é que esta ala abra em outubro do próximo ano. O pediátrico está mais atrasado mas, em janeiro de 2018, contamos que já esteja a funcionar”, avançou Ana Jorge.

Desde o início do seu mandato que Pedro Santana Lopes tem demostrado um “empenho profundo” da Misericórdia de Lisboa em contribuir para colmatar a ausência de respostas adequadas às necessidades da população, na área dos cuidados continuados e paliativos. 

Nesse sentido, em 2012, a Santa Casa inaugurou, em Cascais, a sua primeira Unidade de cuidados continuados e paliativos: a Unidade Maria José Nogueira Pinto. Em setembro deste ano, a Santa Casa formalizou um acordo com o Ministério da Saúde e com o Instituto da Segurança Social, que estabelecia que seriam acrescentadas mais 12 camas à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, disponíveis nesta Unidade.

Mais recentemente, em novembro de 2016, a SCML assinou um protocolo com o Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital Pulido Valente, que estipulava a disponibilidade de 44 camas de cuidados continuados e paliativos a integrar a Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCC). Este protocolo traduziu-se num investimento por parte da SCML na ordem dos 3,5 milhões de euros. Por ocasião da assinatura do protocolo, o ministro da saúde, Adalberto Campos Fernandes, fez questão de sublinhar que “a Misericórdia de Lisboa tem sido um parceiro estratégico e incontornável para o desenvolvimento das políticas públicas, sociais e de saúde, na cidade de Lisboa.”

Com o Hospital da Estrela, a Santa Casa pretende seguir o mesmo caminho e, como referiu Ana Jorge, constituir-se-á “como o grande parceiro do Estado para os cuidados continuados na cidade de Lisboa.”

25 de novembro de 2016
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