Reportagem da Semana
Com o futuro no coração
Lurdes é enfermeira no Hospital de Sant´Ana há mais de 30 anos e Maria trabalha nesta unidade há mais de 40, atualmente como costureira. Muita coisa mudou ao longo destes anos e é com expectativa que aguardam a abertura do novo hospital.

Situado junto ao mar, na marginal de Cascais, a beleza do edifício que alberga o Hospital de Sant´Ana (HOSA) não deixa ninguém indiferente. Considerado uma referência nacional na área da ortopedia e traumatologia, esta unidade de saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa nasceu em 1904. Já lá vão 113 anos.

Lurdes Pinto é enfermeira responsável pelo recobro e trabalha neste hospital há 32 anos.

“Posso dizer que esta é a minha segunda casa e que aqui somos todos uma grande família. Vim para cá com 22 anos..., era uma miúda. Comecei numa enfermaria que tinha crianças, adultos e idosos, depois passei para a esterilização, seguiu-se o bloco, as consultas... Agora estou no recobro”, conta.

Dos primeiros dias Lurdes Pinto recorda uma diretora, que era freira, e que impunha regras rígidas. “Quando vim para cá, não havia serviços mistos. Os enfermeiros homens trabalhavam num sítio e nós noutro. Além disso, mal cheguei, obrigaram-me a usar saiote por baixo da bata. Lá tive eu que ir para Lisboa procurar um saiote, porque não era “próprio” usar a bata sem este adereço”, diz, com um sorriso divertido.

Outra das grandes diferenças entre esses tempos e os de hoje, além dos materiais técnicos usados, era o facto de os doentes, que vinham de todo o país, ficarem bastante tempo internados, chegando mesmo a ficar vários anos. Atualmente, e muito graças ao tipo de cirurgias possíveis e aos materiais usados, a recuperação é muito mais rápida. 

Apesar de tudo isto, é com um orgulho evidente que diz que “há uma coisa que não mudou”. Nessa altura, o Hospital de Sant´Ana era visto como um hospital de referência na área da ortopedia. Hoje isso mantém-se exatamente igual”. Lurdes Pinto vai mesmo mais longe, e não hesita em dizer que são “os melhores nesta área”.

Santa Casa investe na saúde

Esta convicção de Lurdes – de que são os melhores no que fazem – deve-se, em grande parte, ao “perfil visionário” que sempre teve este hospital. Esta característica mantém-se presente e a prova disso é o novo complexo hospitalar, prestes a ser inaugurado.

Com uma área bruta de 6.688 m2, o novo hospital representa um investimento da Misericórdia de Lisboa de quase 9 milhões de euros. Terá capacidade de internamento para 60 camas, dois pisos, um bloco operatório com quatro salas, uma unidade de cuidados intensivos com seis camas, uma unidade de recobro com 32 lugares, além de uma central de esterilização e de uma área de gestão de utentes.

“Quem trabalha aqui está muito entusiasmado com o novo hospital, uma vez que vai ter infraestruturas mais modernas, vamos poder receber mais doentes e, da parte que me toca, vai ser bom ter o recobro separado do bloco operatório. Isso vai permitir, por exemplo, que os doentes passem a receber visitas do acompanhante de referência e isso é muito importante para eles”, explica Lurdes Pinto. 

O novo Hospital de Sant´Ana reflete a aposta da Santa Casa na área da Saúde, respondendo às necessidades da população.


O orgulho de “serem uma referência”

Também Maria Fernanda conhece o HOSA como a palma da mão. Tinha 17 anos quando lá entrou pela primeira vez, já lá vão mais de quatro décadas. Começou por trabalhar como auxiliar na enfermaria das crianças, durante uma década.

“Muitas das crianças e jovens internados ficavam cá vários anos e, por isso, tinham aulas cá. Lembro-me de situações de meninos, que fizeram cá a primária toda, e de nós os ajudarmos no que podíamos. Gostei muito de trabalhar ali. Ganhamos afeto pelas crianças e são tempos que deixam saudades”, diz, com nostalgia.

Depois da enfermaria, Maria trabalhou pelas oficinas ortopédicas do HOSA, mais concretamente na secção de costura, onde ajudava a fazer cintas. Seguiu-se o refeitório, onde esteve mais 10 anos e, em 1991, começou a trabalhar como costureira responsável, lugar que ainda hoje ocupa.

“Nesta função, e como trato das fardas e batas de todos os funcionários, tenho o privilégio de conhecer toda a gente que aqui trabalha. Às vezes lembro-me mais facilmente do número que vestem, do que do nome”, brinca.

Tal como a enfermeira Lurdes, também Maria assistiu às várias mudanças neste hospital e confessa-se ansiosa pela mudança que se aproxima: a abertura do novo hospital. É certo que a lavandaria, local onde trabalha, se vai manter no edifício atual, mas vai fornecer roupa a todo o hospital, inclusive à parte nova.

Para esta costureira, que confessa sentir um enorme privilégio e orgulho, por trabalhar num hospital que é uma referência nacional, “o novo hospital representa, acima de tudo, uma renovação da esperança.”

19 de maio de 2017
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