Reportagem da Semana
“Ganhei uma vida nova”
Alberto, Maria do Céu, Lurdes e Olinda, do bairro da Liberdade, perto de Campolide, são alguns dos utentes que, desde 2014, têm uma vida nova, graças às Unidades de Saúde Santa Casa.

A Unidade de Saúde Santa Casa (USSC) Liberdade, inaugurada em julho de 2014, em Campolide, junto ao aqueduto das Águas Livres, destina-se à população dos bairros da Liberdade e Serafina, promovendo cuidados de saúde.

Mas a USSC Liberdade é, também, um cuidar próximo, um aconchego e um amparo. Desde que abriu, já inscreveu 1783 utentes.

A Unidade da Liberdade presta cuidados de saúde nas áreas do planeamento familiar, da saúde materna, da saúde infantil, da saúde adulto e idoso e da medicina dentária.

“O bem maior que temos é a saúde”, afirmou Pedro Santana Lopes, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). Uma verdade inquestionável. Nos últimos anos, devido à crise, o estado da saúde dos portugueses agravou-se. A população mais carenciada é a que mais sofre.

Alberto, Maria do Céu, Lurdes e Olinda, moradores no bairro da Liberdade, encaixam nesta descrição. A abertura da USSC Liberdade, há 3 anos, permitiu corrigir estas adversidades.

As histórias desconhecidas

Durante muitos anos, Alberto Joaquim de Almeida, de 62 anos, foi motorista de longo curso, percorrendo as estradas europeias em busca de sustento. 

Perdeu a conta às viagens que fez. Foram dias e dias agarrado ao volante. Muitos anos a juntar quilómetros e problemas de saúde. Hoje, está reformado. Vive no bairro da Liberdade, um bairro catita que inspira pelo nome que tem. 

Mas o ex-motorista mora longe do Centro de Saúde mais próximo, em Sete Rios. As suas queixas e males obrigam-no a deslocar-se, com frequência, ao Centro de Saúde, perdendo tempo em demasia para recorrer a estes cuidados.

Para beneficiar de uma sessão de educação sobre a diabetes, inscreveu-se na USSC Liberdade, inserida no bairro. A proximidade foi determinante para entrar na Unidade. “A minha casa está a menos de cinco minutos da Unidade”, diz Alberto.

“A minha vida melhorou a partir do momento em que entrei nesta Unidade”, conta, sem rodeios, o ex-motorista. 

Além da proximidade, Alberto destaca a rapidez para marcar uma consulta. “No Centro de Saúde podia esperar um mês. Aqui [Unidade] consigo, por vezes, para o próprio dia”.

“Ganhei uma vida nova. Tratam-me dos pés, dão-me injeções, tenho sessões de educação para a diabetes e sou visto por um médico”, adianta, enaltecendo o atendimento e os cuidados de saúde prestados na Unidade.

Já Maria do Céu Barreiro, de 57 anos, também moradora no bairro da Liberdade, frequenta a Unidade de Saúde da Liberdade há mais de dois anos. Como é pré-diabética, inscreveu-se na Unidade para acompanhamento. “Usufruo, igualmente, das consultas de estomatologia e clínica geral”.


“Foi por uma questão de proximidade. Vivo a menos de 2 minutos daqui. A Unidade de Saúde Familiar Sétima Colina fica a cerca de uma hora”. 

A Unidade da Liberdade integra uma rede de oito Unidades e três Extensões de Saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, um compromisso da instituição com a população mais carenciada da capital. 

Maria do Céu diz estar “satisfeita” com o atendimento e os cuidados de saúde. “Este pessoal é impecável”, acrescentando que a Unidade da Liberdade “facilita-me a vida e presta um serviço de qualidade”.

Aos 81 anos, Lurdes Antunes Silva já não tem a saúde que desejava. A mobilidade é reduzida, sofre de osteoporose, tensão alta, entre outras complicações. “A idade não perdoa”, lembra a D.ª Lurdes. 


Antes de abrir a Unidade de Saúde da Liberdade, deslocava-se de táxi até Sete Rios. Perdia muito tempo e tinha de pagar o transporte. A criação da Unidade da Liberdade fez com que a sua vida melhorasse. “Venho a pé, devagar, no meu ritmo. São cerca de 120 passos”, refere a moradora deste bairro.

“Estou à distância de um telefonema. Até durmo mais descansada sabendo que estão cá”, desabafa, a octogenária, referindo-se à USSC da Liberdade.

“Aqui sou amparada, sou aconchegada. Olham por mim”, finaliza.

É também a opinião de Olinda Oliveira, mais conhecida por Roca, de 74 anos. Vem pela proximidade e porque é bem tratada. Divertida e bem-disposta, a antiga costureira é utente desde que a Unidade abriu. 


“É uma obra de muito valor e ajuda muito a população do bairro”, conta, lembrando que esta Unidade foi uma “grande ajuda” quando esteve doente.

Wanda Almeida, coordenadora da USSC Liberdade, Anabela Santos, enfermeira chefe e membro do conselho técnico, Márcia Matos e Alfredo Laureano, enfermeiros, defendem que “a USCC Liberdade, numa lógica de proximidade, promove a saúde e previne a doença em áreas relevantes na população do bairro, designadamente a hipertensão arterial (32 % dos utentes), a diabetes (11,5%) e a obesidade (32,1% dos utentes inscritos na valência de saúde adulto/idoso)”.


Para a equipa da USSC Liberdade depois de “dois anos e meio de atividade desta unidade, verificaram-se ganhos relevantes em termos de saúde para a população do bairro na prevenção e controlo de diabetes, na hipertensão e nos conhecimentos da saúde e doença”.

Unidades de Saúde Santa Casa

A Santa Casa integra uma rede de oito Unidades - Bairro da Boavista, Bairro Padre Cruz, Castelo, Vale de Alcântara, Dr. José Domingos Barreiro, Bairro do Armador, Liberdade, W +, e três Extensões de Saúde - Tapada, afeta à Unidade do Vale de Alcântara, Natália Correia, na dependência da Unidade do Castelo, e Telheiras, ligada à Unidade do Bairro Padre Cruz.

Em 2015, as Unidades de Saúde (oito unidades e três extensões) contabilizaram 93.703  consultas médicas, 79.584 consultas de enfermagem, 204.656 intervenções de enfermagem e cerca de vinte mil consultas médicas de especialidade.

Para aceder aos cuidados de saúde disponibilizados é necessário possuir o Cartão de Saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Saiba como aqui.

Cuidados de Saúde, a génese da Santa Casa

Para Helena Lopes da Costa, administradora da Saúde da Misericórdia de Lisboa, “os cuidados de saúde à população mais desfavorecida da cidade de Lisboa são uma das preocupações que estiveram na génese da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, há mais de 500 anos. As Unidades de Saúde Santa Casa têm um papel preponderante junto da população de Lisboa, sendo complementares ao Serviço Nacional de Saúde e prestando cuidados de saúde a pessoas e famílias carenciadas”.

A administradora defende, ainda, que as “Unidades de Saúde Santa Casa devem acompanhar o estado da Saúde em Portugal. A prevalência de algumas doenças exige que as nossas Unidades diversifiquem a oferta em termos de mais e novas consultas. Temos de continuar a dar respostas de qualidade às pessoas que nos procuram”, conclui.


10 de março de 2017

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