Reportagem da Semana
Há 60 anos a trabalhar por boas causas
O "senhor Estêvão", como carinhosamente é conhecido na Misericórdia de Lisboa, é a personificação de "quem corre por gosto não cansa". Reformado, e com 84 anos, continua a trabalhar na Santa Casa, para ajudar os reformados da instituição.

Estêvão Pinto Varão nasceu em 1932, em Idanha-a-Nova, e veio para Lisboa com 11 anos. 

Em 1957, tinha então 25 anos, começou a trabalhar na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). Iniciou o seu percurso profissional na instituição como contínuo e, em 1960, foi para o Totobola. A dedicação que depositava em tudo o que fazia foi rapidamente percebida pelos seus superiores, o que fez com que fosse indicado para secretariar a direção de Apostas Mútuas Desportivas.

"Fiquei no Totobola até 1992, ano em que me reformei. Nessa data, foi fundada a Associação de Reformados da Misericórdia de Lisboa (ARMIL) e eu fui convidado para ser presidente. Aceitei e cá estou até hoje", conta.

Diariamente, Estêvão desloca-se à ARMIL, onde o aguardam várias tarefas. Além de ser responsável pela gestão financeira, é quem organiza as atividades para os cerca de 400 associados, tais como ginástica, passeios, espetáculos musicais, festas de aniversário...

Quando lhe perguntamos porque é que continua a trabalhar em vez de usufruir da reforma, a resposta sai-lhe do coração. Além da "dívida de gratidão para com a Santa Casa, continuar a trabalhar aqui permite-me ajudar os reformados desta Casa, na medida das minhas possibilidades. Alguns têm muitas dificuldades e eu faço tudo o que posso para os ajudar e isso é muito importante para mim. Enche-me a alma."


"Parar é morrer"

Fazendo as contas, há 60 anos que Estêvão dedica grande parte da sua vida à Santa Casa. Na "mala de recordações" são muitos os episódios. Uma das memórias que retém com mais carinho remonta a 1980, quando teve um problema grave de saúde. 

"Os médicos queriam fazer-me um furo na garganta e o Dr. Correia da Fonseca, na altura administrador da Santa Casa, arranjou tudo para que eu fosse aos Estados Unidos curar-me. Pagou todas as despesas. Fui com a minha mulher para Nova Iorque e fique lá três meses... e fiquei bom. Curaram-me e não tive que fazer furo nenhum na garganta", relata. 
"Já passaram por mim 12 provedores", diz, com orgulho, sentimento com que nos mostra também as dezenas de louvores que foi recebendo ao longo dos anos, pelo seu empenho.

Esta semana, Estêvão foi surpreendido com mais um louvor. No final da cerimónia anual de homenagem aos reformados e trabalhadores com mais de 25 anos de serviço, o provedor, Pedro Santana Lopes, chamou o "senhor Estêvão" para lhe entregar um presente especial, por ser "um exemplo a seguir e por nunca querer parar".

Esta homenagem teve um simbolismo especial, por ter acontecido no dia em que foi inaugurada a primeira fase da Quinta Alegre. É que, neste espaço, vai nascer um lar para os reformados da Santa Casa, um sonho há muito acalentado por este funcionário dedicado.

Até lá, parar não consta do dicionário de Estêvão Varão, na medida em que, como diz, "parar é morrer".

7 de julho de 2017
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