Reportagem da Semana
Há vida no palácio
O antigo Palácio do Marquês do Alegrete e o seu Jardim Romântico estiveram abandonados vários anos, mas, graças à Misericórdia de Lisboa, estão prestes a transformar-se num espaço ímpar, assente no conceito de intergeracionalidade.

O rosa que pinta o exterior do edifício e os azulejos em tons de azul que cobrem as paredes da entrada do palácio começam, por estes dias, a dar cor ao antigo Palácio do Marquês do Alegrete, na freguesia lisboeta de Santa Clara. A sua reabilitação está a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que está a desenvolver no local um projeto que inclui a criação de uma residência para idosos e de uma unidade residencial para jovens.

Construído no século XVIII por iniciativa do 2.º Conde de Vilar Maior e 1.º Marquês de Alegrete, o até aqui degradado e inacessível Palácio do Marquês do Alegrete, foi edificado com o pretexto de ser o retiro e casa de família de Manuel Teles Silva. 

"Esta é uma casa típica das grandes famílias abastadas da segunda metade do século XVIII. Eram locais distantes do centro da cidade, arejados, com muita água e constituíam refúgios bucólicos da nobreza lisboeta", diz Vítor Roriz, técnico de conservação e restauro.

Ao longo dos séculos foi sofrendo alterações até que, em 1983, passa a ser propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A entrada acontece pelo portão principal da quinta, classificada como Imóvel de Interesse Público, voltada para o Campo das Amoreiras, onde a cor da madeira das janelas se funde com o tom rosa pastel da fachada. 

 "Tivemos o cuidado de manter o máximo possível da arquitetura e pinturas originais, de modo a que quem visite o palácio tenha uma agradável surpresa visual", explica Vítor Roriz. 

O primeiro espaço interior do palácio é um corredor amplo, cujo chão em madeira corrida divide a atenção com o teto ornamentado com flores e figuras geométricas. Para cada lado existem salas, mas é a escadaria que mais atrai a curiosidade e conduz à descoberta do primeiro andar. Os degraus de pedra mármore são acompanhados por um corrimão, desenhado em ferro forjado, e por uma fileira de azulejos que decora o rodapé da escadaria. A subida faz-se devagar. Ao primeiro par de degraus, os raios de sol que entram pela enorme janela voltada para o Jardim Romântico colocam em destaque os ornamentos desenhados nos cantos do teto e nos painéis das paredes que ladeiam o espaço.

Finalizada a subida, segue-se a sala que alberga a varanda principal e que é o ponto de destaque do Palácio, com as suas respetivas ligações a outros compartimentos internos. As três janelas, que se elevam do chão e acompanham praticamente toda a altura do piso, deixam a luz natural iluminar as paredes e o chão, que retomam novamente o seu esplendor. O ex-libris do Palácio é a vista privilegiada para o jardim romântico e zona envolvente, onde o moderno funde-se ao antigo, numa simbiose perfeita entre a vista para o aeroporto de Lisboa e os recantos do jardim forrados a azulejos. Na sala ao lado, mais pequena, está um espaço que outrora fora uma lareira ornamentado em pedra e azulejo.

O futuro é agora certo. Por isso, restam apenas poucas semanas para que o palácio volte novamente a ganhar vida.


Para pequenos e graúdos

Caraterizado como "um exemplo excecional do romantismo aristocrático lisboeta", em breve o palácio estará aberto à comunidade, estando de momento em fase final de reabilitação.

"Este projeto tem por base a intergeracionalidade", sublinha a diretora do Departamento de Gestão Imobiliária e Património da Santa Casa. Helena Lucas explica que estão em causa três obras diferentes, que serão executadas de forma faseada. Quando estiverem terminadas, jovens e idosos passarão a partilhar o mesmo espaço, parte do qual estará também acessível ao público. 

A primeira fase da empreitada está praticamente concluída e passa, como detalha Helena Lucas, pela "reabilitação e conservação do edifício e da arquitetura paisagística, através do restauro dos elementos decorativos existentes, especialmente dos frescos." O Jardim Romântico está, também, em fase final de recuperação, que integra toda a traseira da quinta.

"Estes espaços foram integralmente restaurados e terão como função promover a intergeracionalidade através de espaços lúdicos, culturais, de convívio e serviços abertos ao público. O interior do edifício irá ter uma cafetaria/casa de chá, bem como um conjunto de salas que permitam a realização de atividades diversas e de eventos culturais. No jardim regressam as funções da Quinta de Recreio como um espaço de acolhimento e receção, com funções lúdico-recreativas, abertas à comunidade", frisa a diretora.

A reabilitação da Quinta Alegre é um dos mais emblemáticos projetos da instituição, onde irá também nascer uma Unidade Assistida, constituída por dois edifícios, um que integra a reabilitação dos espaços existentes para apoio da atividade agrícola e outro construído de raiz. Estes dois complexos, com comunicação entre eles, irão acolher a residência sénior para os aposentados da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e também apartamentos para jovens ou seniores independentes. 

A última fase do projeto contempla, ainda, uma Unidade Residencial composta por 12 apartamentos, que se destinam a jovens estudantes, adultos, idosos independentes e pessoas com mobilidade reduzida.

"Ao instalar o lar residencial de idosos e a unidade residencial para jovens num espaço contíguo, iremos promover e facilitar a relação intergeracional, promovendo a proximidade e interação, diálogo, desenvolvimento intelectual e social, evitando o isolamento e a exclusão", concluiu Helena Lucas.

22 de junho de 2017

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