Reportagem da Semana
Mãe e voluntária a tempo inteiro
Sara Manilha é voluntária da Santa Casa, prestando apoio escolar a jovens no Centro Polivalente do Bairro Padre Cruz, um equipamento com muitas crianças problemáticas que só precisam de atenção.
 
Tem 46 anos, é formada em engenharia do ambiente e mãe de quatro filhos, que lhe "roubam a maior parte do tempo". Está, atualmente, de licença de maternidade e descreve-se como "mãe e voluntária a tempo inteiro". Chama-se Sara Manilha.

Há dois anos que é voluntária no Centro Polivalente do Bairro Padre Cruz, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), dando explicações de matemática a jovens do 5º ao 10º ano. Apesar de já ter trabalhado em empresas e em organismos públicos, como inspetora do ambiente, foi a ensinar que se sentiu mais realizada.

"O voluntariado surgiu na minha vida pelo gosto e pela vontade de ensinar. Ser voluntário é sentir que se está a ser útil a alguém", partilha.

E foi assim que Sara começou a dar uma hora de apoio escolar, todas as quartas-feiras, a grupos de jovens dos 10 aos 15 anos. No início, a sua preocupação era ensinar os jovens a estudar, uma vez que a maior parte não tinha qualquer "metodologia de estudo".  

Os miúdos que acompanha têm habitualmente um ambiente familiar "complicado, com muitas carências económicas, académicas, culturais e afetivas". 

Durante as explicações, que prefere dar em grupos de três crianças, segue a matéria através do livro, tira dúvidas e, sobrando tempo, ouve e aconselha os jovens nas "ânsias normais da idade".

Em cada sessão, a voluntária faz questão de lembrar que "não está ali para ser professora" e que o horário do apoio escolar serve "para conviver e falar de tudo um pouco", sem "esquecer o apoio escolar".

Desde os tempos de faculdade que as explicações estão na sua vida, não só em contexto familiar, como com pessoas que o solicitavam. Nas explicações, enquanto estudante de engenharia ambiental, Sara encontrou uma forma de pôr em prática os ensinamentos dos tempos da faculdade e arranjar dinheiro para o seu hobbie favorito: "viajar, conhecer novos mundos e novas pessoas".

Inconscientemente começou a formar uma vocação que desconhecia. O voluntariado na vida da engenheira ambiental surgiu "naturalmente" e é com um sorriso que conta como tem sido "uma experiência gratificante".

"Foi algo que me suscitava interesse, não foi de todo uma obrigação. Poder estar lá e ver que posso ser algo na vida daqueles jovens é, para mim, o mais importante", sublinha.

A título de exemplo, Sara Manilha conta a história de Ana, "uma jovem a quem ninguém conseguia retirar um sorriso. Não falava, não comunicava com ninguém, era extremamente tímida, não mostrava qualquer tipo de sentimentos".

No entanto, nas aulas de Sara estava sempre "atenta" e manifestava interesse por todos os assuntos.

Gradualmente, Ana foi ficando mais descontraída. Foi melhorando, também, as notas a matemática. "No final deste ano letivo recebi um telefonema da Ana, a dizer que tinha tirado positiva a matemática e que tinha passado para o 10º ano", conta Sara, orgulhosa.

"Todo o staff do Centro tem sido fundamental nesta caminhada. Eles são verdadeiramente incansáveis em tudo. Sempre me apoiaram e deram condições para que tornar a experiência positiva" e duradoura, conta. As "conquistas" são assim divididas com toda a equipa.

Deste período, guarda muitas aprendizagens. Que "o meio nem sempre molda a pessoa" é uma delas. Outra, não menos importante, é que " a educação é essencial na formação de uma pessoa".

Todos os anos, dezenas de voluntários da Santa Casa fazem a diferença, apoiando os que mais necessitam. 

Se quiser viver uma experiência como a da Sara e tornar-se voluntário da Misericórdia de Lisboa, preencha e envie a inscrição disponibilizada aqui, ou dirija-se ao Gabinete de Promoção ao Voluntariado, no Largo Trindade Coelho, em Lisboa.


4 de novembro de 2016



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