Reportagem da Semana
Onde a Infância se faz Feliz
Foram mães depois dos 30 anos, têm educação superior, e sempre sonharam ter filhos. Quando chegou o tempo de saírem debaixo das suas "asas", decidiram colocá-los numa das creches da Misericórdia de Lisboa, onde trabalham. Conheça as mães da Santa Casa.

Ainda se lembra do tamanho do baloiço que tanto embalou o seu espírito aventureiro e feliz? Recorda-se das pinturas e dos trabalhos manuais? E das corridas e dos jogos? Os anos já arrefeceram a memória desses dias sem tempo? E do carinho da educadora?

Sofia France e Mónica Brazão, colaboradoras da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), nunca mais se esqueceram. 

Conscientes da importância que a creche tem para o desenvolvimento e sociabilização das crianças, elegeram a creche "O Principezinho", um equipamento da Santa Casa, que lhes recorda bocadinhos da sua infância. 

Sofia é designer na Direção de Comunicação e tem uma filha. Já Mónica, é educadora social, na Casa de Apoio Maria Lamas, e mãe de quatro filhas.  

Quando se aproximou o momento difícil da separação e de confiar o bebé a uma creche, Sofia e Mónica começaram a sentir alguma ansiedade. 

Quem é mãe, pai, ou mesmo avó, avô, tia ou tio, sabe do que falamos. É uma ansiedade que consome o espírito mais tranquilo. Não é fácil entregar a nossa maior riqueza a estranhos. Uma riqueza que cheira a doces e dá vontade de trincar. 

Na hora de escolher a creche, nem uma, nem outra hesitaram. Preferiram "O Principezinho", uma solução que é um descanso para o coração. Os critérios foram a confiança nas pessoas e a proximidade.

A creche "O Principezinho", na praça do Príncipe Real, é um equipamento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, inaugurado em 2011, onde a Infância se faz Feliz. Aqui, cerca de 40% das crianças são filhos de colaboradores. 

A educadora social

Mónica Sofia Brazão, de 39 anos, educadora social na Misericórdia de Lisboa, fala, com brilho nos olhos e otimismo, sem receio de partilhar a sua história connosco, num dos gabinetes desta creche.

A lisboeta é mãe de quatro meninas. A primogénita tem três anos, as gémeas, 22 meses e, a mais nova, apenas oito. Todas frequentam o mesmo estabelecimento da SCML.


Quatro filhas, e com uma diferença de idades tão pequena, deve ser “o cabo dos trabalhos”, pensará o cidadão comum.

Os que são pais de filhos pequenos conhecem bem as complexidades da vida diária: banhos, refeições, leva e trás da escola, hora de dormir e acordar...

Agora imagine esta logística multiplicada por quatro. Assustado? A Mónica não está assustada. Faz estas tarefas "com uma perna às costas", enfrentando as dificuldades com um sorriso enorme.  

"Sou uma mãe realizada e uma mulher feliz", diz, orgulhosa.

A leveza, a força e a determinação com que encara a difícil jornada explica-se, talvez, pelo facto de ter desejado muito ter um filho. "Sempre foi um sonho", revela. 

Tanto desejou que até fez um tratamento para engravidar com bons resultados. Das três gravidezes, resultaram quatro filhas. Um sonho realizado.

E não lhe falta coragem para tentar o menino. 

Mónica e o marido têm vidas profissionais exigentes, admitindo que seria muito difícil não fora a ajuda das avós e de uma organização germânica.

"Ando cansada, a dormir três horas por dia, a morrer, mas muito feliz", afirma com um sorriso rasgado.

Na altura de escolher um equipamento de infância, Mónica pensou logo na creche ‘O Principezinho'. O facto de conhecer as pessoas "ajudou muito" na sua preferência. 

A educadora social sente-se segura com as suas filhas nesta escola. "Elas ficam bem, são bem tratadas e eu fico com o coração descansado", acrescentando que as filhas "são felizes nesta creche. Vê-se. Dá para comprovar".

A designer 

Sofia France, 40 anos, mãe de uma menina com 26 meses, reconhece que teve uma "infância muito feliz", recordando, com saudade, os avós, os jogos de basquetebol e as viagens que fazia com os pais e os quatro irmãos num Volkswagem ‘Pão de Forma'.

"Ter um filho era um desejo de há muito e que demorou muito tempo a ser concretizado", conta, considerando que ser mãe é "uma experiência fabulosa e que todos os dias são uma novidade".



A designer nem perdeu tempo a ver outras creches. "Pensei imediatamente no "Principezinho".

"No último mês de licença de maternidade, fiquei super ansiosa. O Pedro [o marido] já não me podia ouvir", conta [risos].

Quando regressou ao trabalho, foi Pedro que ficou em casa, durante um mês, com a Carminho. Nessa altura, a designer ia e vinha de casa a chorar, com saudades da sua filha.

"O primeiro lugar onde deixei a minha filha, sem ser na minha casa, foi na creche da Santa Casa", lembra. Embora a sua filha fosse muito pequenina (cinco meses), Sofia sentia-se segura e confiante. 

Não tem "palavras suficientes para agradecer a quem tão bem toma conta e educa a nossa filha". A Carminho "teve muita sorte", diz.

Destaca, também, a proximidade e as condições "excelentes" da creche. "Confio muito nesta equipa. São incansáveis", adianta, referindo as pessoas como o fator que faz a diferença em qualquer trabalho.

"Todas as creches deveriam ser como aquela. Era bom demais", conclui, Sofia.

O colo das crianças

Com uma filha, e 17 anos de experiência como educadora, Marta Felipe, de 40 anos, está na creche desde a inauguração, em 2011. "Gosto imenso do que faço e de não ter um dia igual ao outro". 

É um privilégio trabalhar aqui e contribuir para o futuro destas crianças", diz Marta, depois de dar colo e mimo e um bebé.

A voz de quem sabe...

Aos 59 anos, Domingas Lisboa, diretora da creche "O Principezinho", conta já com 36 anos na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, muitos deles como educadora de infância. 

Do seu gabinete, situado no segundo andar, tem uma vista privilegiada para o Jardim do Príncipe Real.

Com três filhas e quatro netos, não sabe bem porque escolheu ser educadora de infância. Sabe, apenas, que "gosta" do que faz e que lhe dá "prazer".


"Gosto de pessoas, eu gosto é de pessoas", salienta.

Para Domingas Lisboa, a diferença entre esta e outras creches da SCML é o facto de estar inserida num bairro de classe média-alta. Cerca de 40% das crianças são filhas de colaboradores. Os restantes 60% dividem-se entre crianças cujos pais trabalham ou vivem nesta zona e crianças em risco.

Atualmente frequentam esta creche 68 crianças, 16 no berçário, 20 na sala de um ano, e 32 na sala de dois anos.

"O Principezinho" é a montra da Santa Casa, pela proximidade aos serviços centrais, no largo Trindade Coelho, salienta.

Lembrando que o mundo pode ser muito injusto e cruel, Domingas Lisboa nota que "é um privilégio nascer no lado certo do mundo, no país certo e na família certa".

Nesta altura da sua vida, as crianças precisam de "cuidados, afeto, bem-estar, alegria, rotinas e uma boa alimentação". Mas, nem todas "têm a mesma sorte", realça.

"Entregar um filho nos braços de outra pessoa pode criar alguma insegurança, o que é normal", considera a responsável.

Um Mundo em Mudança

Domingas Lisboa nota que "os pais [homens], hoje em dia, são cuidadores. Antigamente, havia uma grande diferença, algo que não se nota na atualidade".

"Os pais fazem tudo [tarefas] e as preocupações são semelhantes às da mãe", refere, defendendo que “os pais exigem ser reconhecidos com um elemento fundamental na vida dos seus filhos".

Para Domingas Lisboa, "esta creche reflete o investimento no apoio à educação da Santa Casa".

7 de abril de 2017

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