Reportagem da Semana
“Parece mentira, mas tenho outra casa”
Um grupo de voluntários da Misericórdia de Lisboa participou na recuperação da casa de Maria Filomena, no âmbito do programa “Reparar”. Conheça esta história.

Doze colaboradores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) disponibilizaram-se como voluntários para recuperar a habitação de uma utente do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA), na passada quarta-feira, 4 de outubro.

Maria Filomena Viana, de 56 anos, vive sozinha em Mem-Martins, Sintra, na casa que herdou dos pais. Anda numa cadeira de rodas, fruto de uma doença contraída aos 18 meses. Apesar de várias dificuldades é autónoma e tem qualidade de vida. “Tenho conseguido uma autonomia bastante esforçada”, lembra.

No entanto, a habitação tinha muitos problemas para os quais sozinha não encontrava solução. Desde a passada quarta-feira, graças ao programa “Reparar” tem uma habitação remodelada que lhe permite, aos 56 anos, ter mais conforto e alegria.

“Eu olhava para esta casa e não sabia o que fazer. A casa era escura, sem luz, cheia de buracos e humidade. Era uma tristeza”, confessa a funcionária da Biblioteca de Sintra. Desesperada e incapaz de resolver este problema sozinha, deixou de gostar de estar em casa.

Até que o programa “Reparar” da Santa Casa lhe “bateu à porta”. Primeiro não quis acreditar. Só ficou convencida após as obras.

De regresso a casa, Maria Filomena confessa-se em “choque”. Incrédula com o que os seus olhos veem, percorre as divisões da casa com um sorriso enorme. “Parece mentira, mas tenho outra casa”.
 

“Já tem mais luz. É a luz dos voluntários da Santa Casa”, diz sorridente.
 
Não é o querido, mudei a casa, mas vai ter uma vida nova? “São os queridos, mudaram a casa. Vou ter outro gosto em estar aqui, vou ter outro dia a dia”, responde Maria Filomena.

As obras

Face ao elevado estado de degradação da casa, a dedicação dos doze voluntários da SCML incidiu em trabalhos de pintura de paredes e tetos, de reparação do pavimento e fissuras. A equipa reparou, ainda, as janelas e portas e baixou a rampa para facilitar a entrada da cadeira de rodas.

Maria Filomena é a primeira utente do CMRA a beneficiar do apoio da quinta edição do programa "Reparar", uma iniciativa que desafia voluntários e empresas a associarem-se à remodelação de casas degradadas de pessoas idosas, utentes da Santa Casa, nos concelhos de Lisboa, Oeiras, Amadora, Odivelas, Loures, Cascais e Sintra.

Estas reparações têm o objetivo de melhorar a qualidade de vida e conforto de pessoas idosas, carenciadas e isoladas.

O Programa "Reparar"

No âmbito da estratégia de responsabilidade social, as empresas poderão contribuir na reparação de uma ou mais casas, disponibilizando também uma equipa de colaboradores em regime de voluntariado. 

A meta de 2017 é reparar 24 casas de utentes de Serviço de Apoio Domiciliário e de Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nos concelhos de Lisboa, Oeiras, Amadora, Odivelas, Loures, Cascais e Sintra. 

Este ano, a iniciativa abarca, também, a melhoria das condições de habitabilidade dos utentes do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão que, depois terem alta, precisam de ver as suas casas adaptadas de maneira a terem maior mobilidade e conforto. 

São cerca de 7000 as pessoas idosas apoiadas pela Misericórdia de Lisboa, através de respostas sociais diversificadas. Parte significativa destas pessoas vive sozinha, em habitações degradadas, sem conforto nem rede familiar, com falta de acessibilidades, levando uma vida solitária e isolada.

Este programa procura, assim, conjugar vontades e esforços, para que ações de voluntariado corporativo e voluntariado de competências possam melhorar casas degradadas de pessoas idosas carenciadas e isoladas.

Já foram reparadas cerca de 101 casas de idosos, graças à participação empenhada de 56 empresas apadrinhadoras e de 1020 voluntários. No total, foram dedicadas 8184 horas de voluntariado e investidos 364.000,00 euros.


Os voluntários

Catarina Catalo, 39 anos, administrativa no Departamento de Gestão Imobiliária e Património (DGIP) da Santa Casa, diz que “quis ajudar”, elogiando a iniciativa da instituição.

Colaborador da Misericórdia desde 1996. Mário Rui André, 50 anos, representante da SCML na Plataforma de Apoio a Refugiados, considera que “este é dos programas mais importantes da Misericórdia de Lisboa e com um impacto fantástico na vida dos nossos utentes”.

Na sua estreia como voluntario, André Garcia, 40 anos, diretor do núcleo Aquisitivo da Saúde Santa Casa, salienta que o programa “Reparar” vai ao encontro da missão original.

Sofia Dias, 28 anos, também trabalha no DGIP. A arquiteta participa nesta ação de voluntariado pela segunda vez, considerando que, com esta iniciativa, é possível ajudar que tem falta.

A visão da instituição

Helena Lucas, diretora do DGIP, considera que o programa “Reparar é um exemplo de que, com pouco se faz muito”, salientando que dar uma alegria e condições de habitabilidade a pessoas que estão sozinhas cumpre na íntegra a missão da Santa Casa. “Retomamos agora o programa e esperamos dar-lhe um novo impulso”, frisa.

Sónia Silva, responsável pela Unidade de Sustentabilidade e Inovação do Departamento da Qualidade e Inovação (DQI), salienta a satisfação pelo trabalho dos voluntários e sublinha a importância de “dinamizar a responsabilidade social corporativa da Santa Casa”.

6 de outubro de 2017

Os filhos da Coragem +

Uma terapia chamada música +

“Parece mentira, mas tenho outra casa” +

A nossa casa de férias +

O refúgio dos artistas +

Alegria, convívio e atividade física +

Pousal: 53 anos a praticar Boas Causas +

O verão em que os festivais tocaram a todos +

Uma casa de portas abertas +

Descodificar sons, palavras e corações +

1 2 3 >
Facebook