Reportagem da Semana
Quando a saúde nos bate à porta
A Santa Casa anda pelas ruas de Lisboa a auscultar a saúde dos portugueses.

São 10h00 e as pessoas começam a entrar na carrinha móvel da "Saúde Mais Próxima", da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) estacionada na Rua Tristão Vaz, na Ajuda, com duas enfermeiras.

"Estamos aqui por sua causa" é o lema do programa "Saúde Mais Próxima" da Misericórdia de Lisboa. O principal objetivo deste projeto é a prevenção das doenças que mais afetam os portugueses. Uma ação de sensibilização do cancro da mama e da próstata é o assunto do dia (10 de janeiro), na rua Tristão Vaz.

Rastreios, conselhos e dois dedos de conversa

Num dia de inverno, com pouco sol e muito frio, Ana de Jesus Martins, 71 anos, reformada, entra num dos gabinetes móveis da "Saúde Mais Próxima". Natural de Santa Maria de Belém, a reformada aproveita a sugestão do auxiliar pertencente à equipa da Santa Casa quando este a convidou a conhecer a unidade móvel.

"Já tinha visto a carrinha por aqui. Mas nunca entrei. Talvez por vergonha. Fui convidada, caso contrário não entrava". 

"Eu faço muitas caminhadas e tenho uma vida ativa. É isso que me dá saúde", confessa, sorridente.


"Fiquei a saber que tenho o colesterol alto", diz Ana, apreensiva. "Tenho que ir à minha médica de família. Além da medição do colesterol, a enfermeira Filipa Garcez explicou, ainda, o que é um cancro da mama, os fatores de risco, como se manifesta e como fazer um autoexame.

A reformada elogia a ação da Misericórdia de Lisboa: "é uma ótima ideia, e uma solução confortável, próxima e gratuita".

Esta ação de sensibilização é gratuita e consiste em dar noções básicas sobre o cancro da mama e da próstata, procurando sensibilizar a população para esta problemática.

Joana (nome fictício) está à porta da unidade móvel da Santa Casa. Aguarda pelo marido, 77 anos, que entrou para fazer a ação de sensibilização para o cancro da próstata. "Já há algum tempo que ando a tentar convencê-lo a ir a uma consulta de urologia. Levanta-se várias vezes durante a noite para ir à casa de banho", conta, apoquentada.

"Espero que esta ação de sensibilização o obrigue a ir ao médico. Os homens não gostam de admitir que estão doentes ou que precisam de alguém. Não querem mostrar fraqueza", adianta, acrescentando que as "mulheres são mais práticas em relação à saúde".

A septuagenária elogia a iniciativa da Misericórdia de Lisboa, lembrando a importância de levar a saúde às pessoas.

Luís Raposo, 71 anos, aposentado da função pública, soube da presença da unidade móvel da Santa Casa por mero acaso. "É sempre assim. Vim à janela e apercebi-me que a carrinha estava cá".

Acabado de vir da natação e do ioga, Luís diz que a iniciativa da Santa Casa é "fundamental" porque aproxima as pessoas dos serviços de saúde.

O seu colesterol passou o limite aconselhado. "Vou ter que ter mais cuidado. Mas depois das festas é sempre assim. Agora, é vida nova". O antigo funcionário público admite ser um apaixonado por doces e salgados.

Firmino Loureiro, 67 anos, é outro dos visitantes da unidade móvel da Santa Casa. Gostou do atendimento, e elogia o facto "deste serviço de saúde nos bater à porta".


Um projeto de proximidade

A "Saúde mais Próxima" é um núcleo da Santa Casa constituído por equipas de profissionais de Saúde, que vai ao encontro dos cidadãos, para realizar ações de rastreio, de sensibilização para hábitos de vida saudável e prevenção sobre doenças crónicas. Com uma forte presença em alguns dos mais tradicionais Bairros de Lisboa, a Santa Casa procura promover uma maior proximidade com a sociedade.

O que começou com um projeto, com o intuito de ajudar pessoas nos bairros mais carenciados de Lisboa, estendeu-se para todo o país.

As enfermeiras Flávia Pereira e Filipa Garcez explicam que as ações da "Saúde Mais Próxima" levam rastreios, ações de sensibilização e conforto a estas pessoas. 

"Em Portugal, há uma elevada taxa de mortalidade nos cancros da mama e da próstata. Por essa razão, resolvemos fazer esta campanha de sensibilização", constatam.

O reencaminhamento das pessoas que apresentem alterações importantes para o médico de família, é uma das funções mais importantes das enfermeiras da "Saúde Mais Próxima". 

Em cada ação, recorrem a este serviço entre 40 a 100 pessoas, com idades a partir dos 18 anos. A maioria é reformada. As que têm idade inferior a 18 anos, só acompanhadas pelos pais ou por um tutor.

As unidades móveis da "Saúde Mais Próxima" continuam a percorrer diariamente os bairros mais degradados da capital e de outras cidades do país, contribuindo para ajudar a prevenir muitas doenças.

Além da ação de sensibilização ao cancro da mama e da próstata, vários outros têm sido realizados pela "Saúde Mais Próxima": da diabetes, das doenças cardiovasculares, das doenças respiratórias, da saúde visual e das demências.

12 de janeiro de 2018
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