Reportagem da Semana
Reaprender a viver
A Unidade de Cuidados Continuados Integrados Maria José Nogueira Pinto tem um serviço de treino de atividades da vida diária, onde a autonomia ganha um novo significado.

Fazem a cama, abotoam camisas, atam sapatos, escovam os dentes, estendem a roupa. Esta é a rotina dos utentes da Unidade de Cuidados Continuados Integrados Maria José Nogueira Pinto (UCCIMJNP), em Cascais, que, aos poucos, vão recuperando o ânimo, no serviço de Atividades de Vida Diária (AVD). Estar ocupado, com estas atividades do dia-a-dia, é "melhor do que ficar sem fazer nada", defendem.

A 17 de agosto de 2016 a vida pregou uma rasteira a Avelino Azeredo, 73 anos, comerciante e residente em Linda-a-Velha. "Num dia quente de verão, enquanto podava uma árvore que tenho no jardim, escorreguei, e só me lembro de estar estendido no chão, sem conseguir mexer as pernas", conta.

No hospital, disseram-lhe que tinha sofrido uma lesão na medula espinhal e danificado irreversivelmente o tecido nervoso, situado no canal vertebral.

Depois do prognóstico reservado e do choque inicial, Avelino decidiu empenhar-se na recuperação, com uma força e uma fibra inabaláveis. Depois de uns meses de terapia, no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, começou a frequentar as AVD, na Unidade de Cuidados Continuados Integrados Maria José Nogueira Pinto, também propriedade da instituição.

"Tenho-me sentido muito bem aqui. O ambiente é familiar, todas as pessoas são extraordinárias e acolhedoras, desde os médicos às fisioterapeutas", diz Avelino.

As sessões de AVD são coordenadas por Inês Abreu. O objetivo, refere a terapeuta, é que o utente consiga o máximo de autonomia possível, através de um "treino intensivo de tarefas diárias, como um simples atar de sapatos".

Inês Abreu é uma das terapeutas da UCCIMJNP que, todos os dias, faz a diferença na vida de tantos doentes. Para esta antiga aluna da Escola Superior de Saúde do Alcoitão, da Misericórdia de Lisboa, acompanhar o senhor Avelino é um "trabalho desafiante e, acima de tudo, gratificante".


Quando era adolescente e vivia em Arcos de Valdevez, Avelino decidiu mudar-se para Lisboa, em busca de uma vida melhor. Começou a trabalhar aos 15 anos, primeiro por conta de outrem, até ao serviço militar obrigatório, depois como responsável do seu negócio próprio, que ainda hoje mantém.

"Sempre andei de um lado para o outro, sempre fui uma pessoa ativa, o que tenho mais saudade é de ter autonomia", desabafou, o minhoto.

Quando o pior aconteceu, Avelino achava que uma cadeira de rodas "era o princípio do fim". Mas estava enganado. Pouco a pouco, foi dando tréguas à tristeza e à dor. "Estes momentos que tenho com a terapeuta Inês fazem-me muito bem à moral e à saúde. Mal me mexia e agora já não é assim".

"Cozinhar sempre foi o meu hobbie predileto", revela. "Todos os que provam os meus churrascos voltam sempre para repetir a dose", diz, com um sorriso.

É com esta alegria que este adepto ferrenho do Futebol Clube do Porto encara a sua nova realidade. A prioridade agora é voltar a conduzir. A sua grande meta é a mudança "da cadeira de rodas para outro sítio. Quero voltar a conduzir. Voltar a ter asas", conta, esperançado. "Posso perder a guerra mas, até lá, vou ganhando batalhas", afirma, confiante.


Cuidar bem e com qualidade

"A saúde em primeiro lugar". Esta é uma ideia defendida por todos. Nesta unidade de saúde da Santa Casa é assim que se vive, fazendo bem e melhor a cada dia, priorizando a saúde e o bem-estar de quem procura este equipamento.

Foi em 2012 que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa abriu a primeira Unidade de Cuidados Continuados Integrados, batizada com o nome da antiga provedora da instituição, Maria José Nogueira Pinto, como forma de homenagem.

Com 72 camas de internamento, a UCCIMJNP tem como missão prestar cuidados de saúde prolongados, nas diferentes fases da evolução da doença. Conta com uma equipa multidisciplinar.

"Neste equipamento temos três tipos de internamento: os de média duração e reabilitação, os de longa duração e manutenção, e os paliativos. Temos uma taxa média de ocupação de 86%", diz Filipa Andrade, diretora da Unidade de Cuidados Continuados Integrados Maria José Nogueira Pinto.

Desde setembro de 2016 que a UCCIMJNP passou a integrar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, estabelecendo a SCML, dois meses depois, um protocolo com o IPO de Lisboa, com o intuito de prestar cuidados paliativos, em regime de internamento, a doentes referenciados pelo Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil.

13 de julho de 2017


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