Reportagem da Semana
Uma casa de portas abertas
No coração do Bairro Alto, há um equipamento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que promove a inclusão social de famílias vulneráveis. A história de Jiah Thalukdar é um exemplo disso. Conheça-a.

"E se à porta, humildemente, bate alguém. Senta-se à mesa co'a gente", estas palavras pertencem à letra de Uma Casa Portuguesa, tema de Amália, que resume o trabalho diário que é feito no Centro de Apoio Familiar (CAF), onde Jiah Thalukdar foi recebida. Entrar no CAF, é como entrar numa casa, acolhedora.

É neste espírito, de ajudar quem mais precisa, que uma equipa multidisciplinar atende todos os que se deslocam ao número 227, da rua da Rosa, no Bairro Alto, à procura de um rumo, de conforto, ou de um canto para esquecer as amarguras da vida. 

Jiah Thalukdar tem 28 anos e é natural do Bangladesh. Já longe do seu país, e antes de chegar a Portugal, esteve dois anos nos EUA, à procura de uma vida melhor, para si e para a filha, Esha, de 5 anos. No entanto, a experiência pelas terras do "tio Sam" não correu, infelizmente, como imaginava. 

Ainda do outro lado do Atlântico, sofreu de violência doméstica. Até que decidiu virar a página e mudou-se para Portugal. "Depois de falar com uns amigos que estão cá [Portugal], decidi que estava na altura de deixar o meu marido e de vir para aqui, com a minha filha", desabafa a jovem.

Os primeiros tempos não foram fáceis. Sem emprego, sem dinheiro e com a filha a sofrer de uma doença crónica, Jiah encontrou no CAF o aconchego que só tinha sentido no Bangladesh. 

"A língua portuguesa é complicada, mas aqui no centro tenho aulas de português e todos me tratam como se fosse da família", conta.

Além de dar formação, o CAF presta um tipo de apoio comunitário a famílias carenciadas, sendo um exemplo na cidade de Lisboa. Oferece alimentação, higiene e lavandaria a quem for encaminhado, seja por parceiros, seja por equipamentos da Misericórdia de Lisboa.

Mas a atividade que se desenvolve neste Centro ultrapassa o apoio inicial, como nota a sua diretora, Elsa Gaspar.

Promover a inclusão e o bem-estar de pessoas excluídas, respondendo às suas necessidades, "com respeito e, acima de tudo, dignidade" é prioridade da atuação do CAF, sublinha a responsável.

"Neste equipamento existe uma relação intencional. Queremos que, quem nos procura, não se limite a utilizar um serviço do CAF", mas que sinta este espaço como a própria casa, explica.

Aos poucos, a vida de Jiah e de Esha vai-se recompondo. Atualmente, encontrar emprego é o mais importante. Felizmente que o Centro ajuda nesta procura.
Quando questionada sobre o futuro a resposta sai naturalmente, com um imediato sorriso: "ser feliz com a minha filha".


Um sorriso como moeda de troca

O CAF tem uma loja social, de vestuário e acessórios, que faz as delícias da filha de Jiah, a pequena Esha. 

Com roupas para bebés, crianças e adultos, cuidadosamente arrumadas em prateleiras e em manequins, a "lojinha", conforme é designada, está aberta a todas as pessoas identificadas como carenciadas. Ali, podem observar, experimentar e escolher o que precisam, beneficiando de um atendimento personalizado. 

"Esta é mais uma resposta que toda a equipa identificou como necessária", diz Elsa Gaspar. Trata-se de um lugar onde pode ser encontrada roupa para várias ocasiões, inclusivamente a mais adequada para uma entrevista de emprego.

No primeiro trimestre, saíram da "lojinha" centenas de peças de vestuário e bijuteria, respondendo às necessidades de 600 utentes e famílias. O centro conta com a generosidade de vários parceiros e particulares, que vão renovando o stock, doando artigos. Ao entrar na "lojinha", os utentes têm uma experiência real do que é ir a um espaço comercial, sentindo-se tratados com a dignidade que merecem.

CAF@CASA é o nome de outro espaço que foi inaugurado neste Centro no mês passado. Doa "produtos de maneira a melhorar a qualidade de vida de todos os beneficiários", refere a diretora.

No Bairro Alto, "existem muitas pessoas que moram em quartos", não tendo por isso acesso a utensílios de cozinha nem a atoalhados. O CAF@CASA" surge, assim, para colmatar estas necessidades.

Elsa Gaspar salienta, também, que o sucesso do Centro só é possível graças à equipa que o compõe. Além disso, sentir que um utente usufrui deste espaço como se fosse a própria casa é a prova de que trabalhar por boas causas tem um retorno incalculável.

25 de agosto de 2017

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