Reportagem da Semana
Uma escola terapêutica
Há uma escola a funcionar dentro do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão. Gracinda Valido, terapeuta da fala deste centro hospitalar, é quem lhe dá o nome.

Gracinda Antunes Valido é terapeuta da fala do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA), da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, desde 1982.

O nascimento do primeiro de três filhos transformou o seu percurso: sofria de dislexia.

“Fui mãe em 1987. Quis o destino que o Rui fosse um miúdo com um bom desenvolvimento intelectual, mas com graves dificuldades de linguagem”, conta. A partir daí, decide dedicar-se a estudar esta doença.

Em 2011, desenvolve o teste ACLLE, que mede a avaliação das competências de Linguagem para a Leitura e para Escrita. Ter uma escola no serviço foi “preponderante para a implementação de novas maneiras de olhar para a dislexia”.

O seu trabalho e dedicação a esta causa valeram-lhe o reconhecimento de todos. De tal forma, que mudaram o nome da Escola n.º 2 de Alcoitão, situada no 2.º piso do CMRA, para Escola Básica Gracinda Antunes Valido.

“Dar o meu nome a esta escola foi a maneira de o agrupamento de escolas de Alcabideche, a Camara Municipal de Cascais e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa mostrarem o quanto valorizavam os anos que dediquei a esta causa”, diz, sorridente.

A sala de aulas do CMRA tem desenho, pinturas, colagens e trabalhos manuais das crianças por todo o lado. Há letras em plasticina, trabalhos manuais feitos em papel e artigos didáticos: um globo terrestre, fósseis e jogos são alguns exemplos. No cimo de uma das paredes, as letras do abecedário sucedem-se. Cada uma faz-se acompanhar de uma imagem de uma flor, animal, objeto, que comece pela inicial a que diz respeito.

“Foi graças à professora Micaela Rosa, que deu aulas nesta escola durante 40 anos, que soube o quanto é essencial trabalhar a terapia da fala em estreita colaboração com o professor”, conta a terapeuta.

A Escola do CMRA abriu um ano depois da fundação do centro hospitalar, em 1967, e desde aí tem funcionado ininterruptamente, atendendo crianças em regime de internamento hospitalar e dando, simultaneamente, continuidade ao seu percurso escolar.

As aulas decorrem, diariamente, das 9h00 às 19h00, e destinam-se a crianças e jovens dos 6 aos 18 anos, do 1º, 2º e 3º ciclo. Além do professor Fernando Martins, que se dedica aos alunos da primária, há três outros  para mais dois ciclos, entre os quais a professora Sónia Bártolo, do Projeto “Teleaula”, criado no Hospital D. Estefânia, em 1998, e depois transferido para outras instituições hospitalares, como o CMRA e o IPO. Este projeto criou “espaços virtuais de aula”, para integrar alunos em regime hospitalar, possibilitando-lhes não só seguir as aulas das escolas de onde foram transferidos, através de videoconferência, mas também manter o contacto com os colegas, minimizando o isolamento sentido. Além da integração e da sensação de pertença que a videoconferência proporciona ao aluno hospitalizado, o projeto dá também seguimento ao percurso escolar dos alunos, diz Sónia Bártolo.  

“Os meninos vêm às aulas depois das terapias, porque o que é prioritário é que sejam submetidos aos tratamentos recomendados, seja terapia ocupacional, terapia da fala, ou fisioterapia”, explica Fernando Martins.

Enquanto professora, para Sónia Bártolo “o mais importante é que as crianças se sintam felizes, num ambiente que lhes transmita normalidade”, apesar de reconhecer que nesta escola “somos mais que professores. Somos amigos, avós, tios e pais”.

28 de abril de 2017

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