Reportagem da Semana
Uma tradição cheia de cor, música e alegria
Todos os anos, nos primeiros dias da primavera, o grupo Coral Rainha D. Leonor brinda os funcionários da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com um espetáculo muito especial: o "Concerto da Primavera". Este momento é já uma tradição e acontece há três décadas.

Apesar de faltarem mais de 15 minutos para o início do espetáculo, todos os elementos do Coral Rainha D. Leonor encontram-se já perfilados na entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. É aqui que se vai realizar o "Concerto da Primavera", uma tradição desta instituição que este ano aconteceu no dia 22 de março.

O grupo de cantores espera, pacientemente, a hora de "entrar em cena" e, nas suas expressões não há qualquer sinal de nervosismo. Pouco ou nada conversam. É tempo de estarem compenetrados. Têm ordens expressas da maestrina, Terezinha Reis, para não falarem. "Precisam de descansar a voz antes do espetáculo", explica.

O Coral Rainha D. Leonor nasceu há 30 anos e pertence à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). É composto, na sua maioria, por reformados da instituição e integra mais de 20 elementos. 

São 13h00. O espetáculo vai começar. 

Cada cantor posiciona-se no seu lugar e segue atentamente as diretrizes da maestrina. Todos estão vestidos a preceito: os senhores de fato escuro, camisa branca e laço; as senhoras, primorosamente penteadas e maquilhadas, trazem uma saia preta e uma camisa florida, alusiva ao tema do concerto. Nada é por acaso.

"Canta a primavera" foi a primeira música entoada, um tema tradicional, com ritmo e animação, que marcou o tom até à última nota do espetáculo.

Enquanto tocava guitarra e dirigia o grupo de vozes, Terezinha Reis incentiva a plateia a cantar, apelo imediatamente seguido. Nem o administrador dos Recursos Humanos, Ricardo Alves Gomes, que assistia encantado, deixou de juntar ao coro a sua voz e de participar num acontecimento que já faz parte da história da instituição.

No final, Ricardo Alves Gomes referiu que tinha sido "um gosto enorme receber a alegria deste coro". Apesar do frio que se fazia sentir, o administrador dos Recursos Humanos destacou o facto de o grupo ter conseguido trazer consigo "a primavera e a boa disposição". Como forma de agradecimento, Ricardo Alves Gomes ofereceu flores a todas as senhoras do Coral Rainha D. Leonor.

O poder da música

Terezinha Reis é maestrina deste grupo coral há três décadas, desde a sua fundação. Explica, num tom orgulhoso, que "cantam músicas clássicas, eruditas e tradicionais" e fazem-no em "quatro línguas" (francês, alemão, italiano e português).

Muito despachada e com uma energia exuberante, conta que o grupo integra cinco elementos que vêm desde a sua formação original. Partilha, ainda, que o Coral Rainha D. Leonor tem atuado em lares, hospitais, escolas, da Santa Casa. Cantam também em missas e "até" já atuaram "na Aula Magna e na Assembleia da República", refere, com orgulho.

Maria de Lurdes está no Coral Rainha D. Leonor há 14 anos. Trabalhou na Misericórdia de Lisboa mais de três décadas e continua a "fazer parte da casa", ao integrar este coro. Todas as quartas-feiras, vai aos ensaios. "É muito giro e divertido. Gosto muito do convívio e já tenho amigos aqui", diz.

Já Armando Santos está no coro há quase uma década. O gosto pela música e o facto de adorar cantar levaram-no a este grupo e os ensaios semanais já fazem parte da sua rotina.

Branca Leal teve a responsabilidade de fazer alguns solos no "Concerto da Primavera". Quem ouve a sua voz grave e forte, adivinha que a música faz parte da sua vida há muito tempo. A própria confirma isso mesmo quando diz nostalgicamente: "Canto desde os 8 anos. Cantava muito bem Édith Piaf. Cantei no teatro, cantava ópera... Só parei depois de casar. Quando o meu marido morreu, voltei a cantar outra vez".

Sete músicas. Meia hora depois, o "Concerto da Primavera" chega ao fim. O entusiasmo contagiante do Coral Rainha D. Leonor transformou esta ocasião numa "verdadeira festa", segundo palavras do administrador. A alegria que o coro transmite é uma "verdadeira inspiração para todos", concluiu Ricardo Alves Gomes.


24 de março de 2017

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