Reportagem da Semana
Web Summit. O desafio de ajudar as pessoas através da tecnologia
Foram 3 dias intensos em Lisboa com a maior cimeira tecnológica, de inovação e empreendedorismo do Mundo. A Santa Casa esteve presente pelo segundo ano consecutivo.

A Web Summit assume-se como a maior conferência tecnológica a nível mundial. Lisboa foi, entre 7 e 9 de novembro, pelo segundo ano consecutivo, o palco escolhido para receber o evento. Passamos em revista o evento deste ano.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa esteve presente, uma vez mais, para apresentar alguns dos seus projetos, com destaque para a área do Empreendedorismo e Economia Social. Localizado no pavilhão 2 do evento, o stand da Santa Casa era paragem quase obrigatória a caminho da Altice Arena, onde decorriam as principais conferências. Foi o caso do antigo Presidente de França, François Hollande, que logo no primeiro dia esteve alguns minutos neste espaço a conhecer um pouco sobre a instituição.

O antigo governante francês pediu aos empreendedores que utilizem a revolução tecnológica em curso para combater as desigualdades entre a população, alertando para os perigos de aquela que apelidou de "mutação social considerável" poder criar ainda mais desigualdades, tornando os mais frágeis ainda mais excluídos face aos que têm acesso ao conhecimento e formação.

O provedor da Santa Casa, Edmundo Martinho, explicou a presença da instituição na maior cimeira tecnológica e de empreendedorismo do Mundo com duas razões essenciais: "afirmar-se como ator essencial em matéria de inovação e de abertura a tudo o que sejam processos novos para melhorar o nosso trabalho e, por outro lado, afirmar-se também como apoiante de iniciativas inovadoras que contribuam, nas suas áreas de intervenção, para que nós e outras instituições da economia social possamos fazer melhor o nosso trabalho".



Direitos Humanos a marcar a Agenda

No segundo dia da Web Summit, destaque para algumas intervenções direcionadas para os Direitos Humanos, com os temas dos migrantes e refugiados a estar em cima da mesa.

O comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, subiu ao palco para falar sobre a questão: podem os benefícios da investigação com financiamento público superar os custos?

Questionado em tom de brincadeira pelo jornalista Ryan Health, correspondente sénior na União Europeia se a Europa está a desenvolver carros voadores numa instalação secreta, Carlos Moedas respondeu que se estão a desenvolver projetos bem mais importantes.  "Vi um projeto que me deixou boquiaberto, em que uma impressora 3D pode imprimir uma casa por 35 euros. Imaginem o que isso pode fazer num Continente como África? Isso muda vidas, muito mais do que carros voadores".

O comissário insistiu num ponto que abordara na véspera, da necessidade de explicar a Ciência às pessoas: "acho que por vezes as pessoas não sabem o que se está a fazer nesta área e, temos de falar mais sobre isso para que as pessoas possam perceber os benefícios da investigação para as suas vidas". Carlos Moedas defendeu ainda que a União Europeia precisa de criar condições para que as pessoas e empresas que tenham boas ideias consigam financiamento na Europa, para que não tenham de procurá-lo nos Estados Unidos da América.

No segundo dia da Web Summit houve também espaço para falar no que a tecnologia pode dar àqueles que se veem forçados a sair dos seus países. Num painel dedicado a "Tecnologia e Migrantes", esteve Ismail Ahmed, fundador da WorldRemit, um serviço online que permite a transferência de dinheiro para familiares e amigos que, por exemplo, tenham ficado nos países de origem dos migrantes.

Ismail Ahmed fugiu da guerra da Somália. No país de origem a família perdera tudo, e dependia do dinheiro que enviava para casa. Hoje, em Lisboa, defendeu que "a tecnologia ajudou os migrantes a voltar a ter contacto com a sua terra e as suas famílias". Com as mais recentes aplicações tecnológicas "os migrantes estão em permanente contacto com os países de origem e conseguem perceber a evolução da situação" nas suas terras, sublinhou.

Outro exemplo da tecnologia ao serviço dos Migrantes foi dado por Djamel Agaoua, fundador da Viber, conhecida aplicação de mensagens. Djamel Agoua falou sobre o portal InfoMigrants.net, criado pela France 24, Deutsche Welle e ANSA, que disponibiliza notícias e informações para migrantes, no seu país de origem bem como nos locais onde começam uma nova vida.

Mike Butcher fundou a TechFugees, uma plataforma para responder às necessidades dos refugiados. O orador deixou um alerta: "devido às alterações climáticas, cerca de 20 milhões de pessoas terão de se deslocar de África para a Europa nos próximos 15 a 20 anos". Mike Butcher explicou a necessidade de "se criar soluções tecnológicas que lhes devolvam dignidade e as ajudem a viver este problema. Com aplicações como o Viber, Whatsapp, ou outras tecnologias, podemos ajudar as pessoas a integrarem-se melhor, a colocar os seus filhos em escolas, a arranjar trabalho, a tornar as suas vidas mais simples".

Santa Casa Challenge no último dia da Web Summit

A Santa Casa guardou para o último dia um dos principais pontos da sua participação no evento, a realização do workshop Santa Casa Challenge. Aqui, os vencedores da primeira edição do concurso de inovação social digital da Misericórdia de Lisboa tiveram a possibilidade de apresentar os seus projetos.

Em 2016, a Santa Casa lançou o concurso de inovação social digital na busca de soluções inovadoras que explorem os efeitos das novas tecnologias e o potencial de trabalho em rede da Internet para resolver problemas ou necessidades sociais.

O primeiro projeto a ser apresentado foi a Heptasense, que desenvolveu um software de reconhecimento de gestos e deteção de movimento.. Ricardo Santos explicou que a participação no Santa Casa Challenge permitiu criar um "projeto social com a Santa Casa para a tradução de língua gestual para atendimento ao público" e que com a rede de parceiros da Misericórdia há condições para esse projeto avançar muito mais depressa.

Luis Martins, da VisitAR, explicou que criaram uma "plataforma de realidade aumentada em queremos aproximar as pessoas do seu Património. A melhor forma de fazê-lo, acreditamos, é dar-lhe vida, adicionando elementos digitais aos elementos físicos. Por exemplo, adicionar hologramas a monumentos ou ter um monge do séc. XIII na entrada de uma Igreja a explicar como foi criada".

Seguiu-se a Tech4SocialChange, representada por André Rodrigues. O empreendedor explicou que o projeto "visa constituir uma ferramenta que permita ajudar a desenvolver soluções para problemas sociais. Como? Constituindo uma base de dados de problemas, devidamente especificados, e uma base de dados de entidades que podem colaborar na resolução desses problemas. A nossa plataforma ajuda a fazer a ligação entre os problemas, através das suas especificações e as competências técnicas das equipas que poderão ajudar a encontrar as soluções".



O VR4Neuropain propõe-se conjugar a realidade virtual com uma luva inteligente, com biossensores para estimulação tátil, direcionadas à reabilitação motora e sensorial destes doentes. Cláudia Quaresma, um dos elementos da equipa, sublinhou que esta tecnologia permite que "as terapias podem ser feitas de uma forma personalizada e ser feita uma monitorização em tempo real. Os técnicos, terapeutas e os médicos podem monitorizar a pessoa desde o contexto clínico até o contexto em casa e isso é uma mais-valia porque pode ser adaptada às necessidades ocupacionais de cada um dos doentes".

A terminar, Catarina Araújo, da SimVitae, explicou que esta plataforma online é "dirigida a pessoas com elevado grau de dependência na sua mobilidade, designadamente com lesão medular ou vítimas de AVC, e seus cuidadores e consiste em vídeos tutoriais sobre os exercícios que as pessoas têm de executar em sua casa depois da alta do centro de reabilitação".

Em 2017 a Santa Casa lançou a segunda edição do concurso, que tem candidaturas abertas até 30 de novembro. A presença na Web Summit permitiu também divulgar o concurso junto dos empreendedores que participaram no evento.

Segundo a organização, participam na segunda edição do evento mais de 59 mil pessoas, de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores.

10 de novembro de 2017

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