Mensagem do Provedor
«A nossa casa comum» . É assim que o Papa Francisco se refere ao nosso planeta e aos bens e recursos coletivos que partilhamos e temos o dever de proteger e de cuidar, na Encíclica Laudato Si.

É com base nesta inspiradora alegoria que gostaria que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa fosse também olhada pelas suas partes interessadas. Esta também é uma casa comum, onde os utentes, os trabalhadores, os fornecedores, os parceiros, os beneméritos, os apostadores e mediadores dos Jogos Sociais, entre tantos outros que constituem o nosso universo de partes interessadas, têm não só legítimas expectativas em relação ao seu comportamento organizacional, como contribuem de forma ativa para o seu desempenho.

O compromisso da Misericórdia de Lisboa com a sustentabilidade só faz sentido nesta perspetiva, de comunhão universal, onde todas as partes contribuem para um propósito coletivo, onde deverá perseverar uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza, como refere o Papa Francisco na mesma Encíclica.

É por isso que o fio condutor do Relatório de Sustentabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa de 2015 é a proximidade, porque consideramos que apenas estando próximos daqueles que fazem parte da nossa realidade institucional é que podemos adequar as nossas respostas, de forma integral, em união de esforços e vontades e numa perspetiva sustentável.

A proximidade foi um conceito que esteve na origem de um conjunto de reestruturações organizacionais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, bem como de novos projetos e ações, entre 2012 e 2015. Foi o caso do modelo de reorganização da Ação Social ou das repostas de cuidados de saúde primários da Misericórdia de Lisboa, que privilegiaram as parcerias com as diversas entidades, públicas e privadas, que atuam nas mesmas áreas, com o propósito de melhorar as respostas dadas à sociedade, tornando-as mais eficazes e eficientes e evitando a duplicação de recursos. 

Foi igualmente um dos motores da criação do Fundo Rainha D. Leonor, iniciativa marcante do ano de 2015, à qual será dado destaque neste Relatório, que procurou aproximar as Misericórdias do País através de uma partilha de recursos, facilitando-se a concretização de um objetivo que é há muito partilhado, o de servir a população.

Também a aposta no investimento na investigação científica e médica de excelência encontra impulso na proximidade: a atribuição anual dos Prémios Santa Casa Neurociências procura aproximar a comunidade científica da resolução de problemas com os quais a Santa Casa lida diariamente nas suas respostas. Ou a política de reabilitação do seu Património que permite trazer mais pessoas, mais serviços, mais respostas sociais e de saúde e mais vida ao centro urbano, aproximando as pessoas da cidade.

Um dos grandes desafios dos últimos tempos, para todas as instituições como a Misericórdia de Lisboa, tem sido melhorar a eficiência na sua atividade quotidiana e, no ano de 2015, apesar de não se ter verificado um abrandamento na procura de apoio junto da nossa instituição, consideramos que obtivemos um bom desempenho nesta matéria. Reduziu-se a despesa corrente em 1,5%, sem que tivesse havido uma redução na atribuição de apoios sociais, ao mesmo tempo que se aumentaram as receitas correntes em 8,1%, crescimento este que teve uma maior expressão nas receitas provenientes da distribuição dos Jogos Sociais, mas para o qual também contribuiu o aumento das receitas do Património, algo que tem sido uma aposta da Administração nos últimos anos, como forma de diversificação das fontes de receita da Misericórdia de Lisboa e da sua gestão mais eficiente.

Também na área da responsabilidade ambiental a questão da eficiência foi um tema central. Mas para adotar medidas que permitissem uma gestão mais eficiente e respeitadora do ambiente houve que fazer um levantamento prévio que permitisse conhecer melhor o impacto ambiental gerado pela instituição no exercício da sua atividade. O trabalho dos últimos três anos permitiu à Santa Casa sistematizar que recursos ambientais consumia, como e onde eram consumidos e em que quantidades, que resíduos produzia e onde, quais eram as principais ineficiências, as prioridades de intervenção, os bons exemplos a replicar ou alavancar nos seus edifícios afetos à atividade. Toda esta informação foi agregada no Estudo de caracterização do perfil energético e hídrico do edificado afeto à atividade social e de saúde da SCML, concluído em 2015, que abrangeu 113 edifícios da instituição de 9 tipologias distintas de funcionamento.

Mas porque a procura de uma gestão eficiente não pode, nem deve ser, sinónimo de uma estratégia isolada de redução de recursos, a Misericórdia de Lisboa não tem deixado de investir. Nem o poderia fazer, no sentido contrário à sua Missão, quando é confrontada, todos os dias, com problemas sociais urgentes e transversais, como os do envelhecimento, da doença ou das carências económicas. Ainda em 2015 começou-se a desenhar aquele que será um dos investimentos mais significativos da instituição nos próximos anos: o alargamento da sua atividade na área dos cuidados continuados, com a criação da maior unidade de cuidados continuados e paliativos de Lisboa, a instalar no antigo Hospital Militar na Estrela, adquirido ao Ministério da Defesa. A ser desenvolvido em articulação com os Ministérios da Saúde e da Solidariedade e Segurança Social, este projeto é mais um exemplo da rede de parcerias que a Santa Casa tem vindo a reforçar desde 2012.

E, internamente, a coesão institucional da equipa Santa Casa continua a ser um dos objetivos principais. Para a sua concretização, em 2015, destaca-se a atribuição de um prémio no valor ilíquido de 250 euros aos trabalhadores da instituição com contrato individual de trabalho, como forma de reconhecimento pelo empenho com que a Equipa Santa Casa tem respondido aos desafios das solicitações sociais crescentes. 

No final do ano foi ainda aprovado um plano extraordinário de progressões na carreira para os trabalhadores com contrato individual de trabalho e salário inferior a 1500 euros ilíquidos, que abrange cerca de 1500 pessoas.

Porque, mais uma vez, o nosso futuro coletivo só pode ser construído com os outros, num espírito de partilha e reconhecimento.


O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Pedro Santana Lopes